Artigo - Batalha de Itararé

Caiu uma espessa cortina de silêncio sobre a suspensão da greve dos petroleiros, seja na mídia grande (com exceção do Estadão no sábado), seja nas mídias sociais.

A decretação da greve, marcada para começar no sábado, dia 26, havia sido referendada em assembleias organizadas pelas duas federações, a FUP e a FNP.

Para a FNP, em seu site, era “tudo ou nada”. Para a FUP, também em seu site, a decretação da greve poderia gerar nova proposta do TST, o que ocorreu na noite de sexta-feira.

Nenhum dos sites a partir deste dia foi atualizado, nem mesmo sobre a situação no Sindipetro-RJ (FNP) que, aparentemente, não acatou a decisão.

Com a nova proposta de conciliação feita pelo TST, que melhorou alguns aspectos de sua proposta anterior e foi aceita pela Petrobrás, as direções dos trabalhadores acharam melhor não insistir na greve invalidando o “tudo ou nada” ou o empenho das assembleias que a haviam aprovado.

A grande batalha de Itararé não aconteceu, não dando nem mesmo a oportunidade para que o movimento sindical apoiasse a greve que morreu na praia.

Embora taticamente seja compreensível a manobra da suspensão (devido ao diferencial de vantagens nos acordos e convenções coletivas que foram mantidas) o silêncio obsequioso que caiu sobre a negociação e seus resultados revela as dificuldades que as direções terão com suas bases que podem julgar terem sido enganadas. No fim das contas, revelou-se o poderio negocial da grande empresa que conseguiu dividir e paralisar, na reta final, o movimento.

A “construção” da greve e sua suspensão intempestiva revelam as inúmeras dificuldades porque passam os trabalhadores e chamam a atenção para os procedimentos sindicais que, sendo válidos em uma ou outra situação corrente, revelam-se comprometedores quando se trata de um destacamento de vanguarda da resistência e da luta do movimento sindical.


João Guilherme Vargas Netto
É membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo