Artigo - Cenas chocantes

Os comerciantes de Campina Grande estão com medo. Eles e as torcidas do Corinthians e do Flamengo. Estão com medo de quê os comerciantes da Paraíba?

Assim como os traficantes de drogas têm medo da polícia, mas persistem em seu malfadado negócio os comerciantes paraibanos estão com medo do coronavírus, mas querem (que ilusão!) ouvir o tilintar das caixas registradoras que estão silenciosas.

Até aqui tudo é compreensível.

O que é inadmissível é que eles, com seu medo que não os levou a exigirem os créditos prometidos pelo governo e empoçados pelos bancos, aterrorizaram os empregados e exigiram que se fizesse uma manifestação pela abertura imediata e generalizada do comércio, sob ameaça de demissão. Os comerciários se obrigaram a ajoelhar com máscaras implorando o mal feito. As cenas chocantes correram os mundos das redes sociais e a própria procuradoria estadual do Trabalho instaurou procedimento para apurar o caso.

O sindicato dos comerciários de Campina Grande emitiu comunicado em que desmente sua participação na farsa e, ao contrário, reafirma a defesa do isolamento social, o que é compartilhado pela maioria dos trabalhadores (que necessitam, isto sim, de auxílio emergencial).

O companheiro José do Nascimento Coelho, presidente do sindicato e dirigente do PC do B, teve uma posição corajosa e coerente e merece – juntamente com os comerciários e comerciárias de Campina Grande – o apoio firme do movimento sindical com destaque para sua participação na jornada eletrônica do 1º de Maio proposta pelas centrais.

O medo da doença deve nos levar a intensificar o isolamento social como forma efetiva de evitá-la, mas o pânico negocista dos comerciantes não pode ficar impune – até mesmo porque com a crise dificilmente as caixas registradoras farão ouvir o seu tlim-tlim por falta de compradores.


João Guilherme Vargas Netto
É membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo