Artigo - A oportunidade no meio da dificuldade

Um dos maiores gênios da humanidade, e principais formuladores teóricos da contemporaneidade, o filósofo Albert Einstein cunhou, entre muitas de suas famosas frases, uma que é usada a torto e a direito nestes tempos de crise: “no meio da dificuldade encontra-se a oportunidade”. Errado não está. E nem teria a ousadia de querer contestá-lo. Mas que a frase foi deturpada e vem sendo usada por oportunistas, não resta dúvida. Pois como dizia o próprio Einstein, “duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta”.

E quando falamos na infinitude da estupidez humana, não precisamos ir ao Palácio do Planalto ou daqueles que têm tratado a pandemia – que está matando milhares de brasileiros – como gripezinha. A estupidez a gente vê em cada esquina. A estupidez, a falta de escrúpulos e a cara-de-pau. Vejam vocês que recentemente o cantor Wesley Safadão fez uma live na internet que contou com o patrocínio milionário de um dos grandes magazines do país, o Ricardo Eletro. 

Até aí, tudo bem. A questão é que, pelo visto, o Sr. Ricardo Nunes, proprietário do famoso magazine, ou talvez seus diretores comerciais e de marketing tenham se esquecido que muitos funcionários e, neste caso, ex-funcionários, também são fãs do ícone do nosso forró eletrônico. Que também estavam acompanhando a live e se surpreenderam com o patrocínio milionário da empresa. A mesma empresa que semanas antes havia lhes dito que estava sem recursos para honrar o pagamento das verbas rescisórias de seus contratos de trabalho.

Não sei se o Sr. Ricardo Nunes, bem como tantos outros grandes empresários do setor, como supermercados, por exemplo, quer para si o mesmo apelido do cantor. Mas não há outra palavra neste momento para definir tal postura, que não só está ao arrepio da lei, mas foge também às cartilhas mais modernas de gestão, compliance, etiqueta e afins.

O desrespeito às leis, infelizmente, não é novidade no país. Por isso confiamos e precisamos fortalecer a Justiça do Trabalho e os direitos dos trabalhadores, para não sermos surpreendidos em nossos lares, diante dos nossos filhos, com estes tipos de patrões que num dia rasgam direitos, no outro rasgam dinheiro. Até porque outra regra de Einstein que ensino aos meus filhos é: “não tente se tornar uma pessoa de sucesso, tente se tornar uma pessoa de valor”.  


Márcio Ayer
presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro