Artigo - Sindicalismo cobra cuidado no retorno ao trabalho

O sindicalismo brasileiro tem responsabilidade social. E essa responsabilidade ultrapassa as fronteiras das categorias profissionais. Nosso compromisso é coletivo. Com o bem-estar coletivo, especialmente agora em meio a essa terrível pandemia.

Exemplo desse compromisso foi demonstrado na última sexta, dia 12, quando as Centrais Força Sindical, UGT, CUT e CSB promoveram videoconferência com o prefeito Guti, de Guarulhos. Tema: retorno ao trabalho com segurança e respeito à vida.

Eu e os companheiros Marrom, da CUT, Walter, da UGT, e Álvaro, da CSB, conversamos por mais de uma hora com o prefeito e três de seus secretários, incluindo o da Saúde. Manifestamos nosso receio com a volta desordenada ao trabalho e a reabertura do comércio, alertando para o risco de aumento nas contaminações de trabalhadores e clientes.

Também cobramos do prefeito: 1) Garantia de leitos e UTIs pra dar conta de atender a demanda na rede pública de saúde; 2) Higienização dos veículos de transporte coletivo, bem como de terminais e pontos de ônibus; 3) Forte campanha de conscientização junto à população, principalmente na periferia.

Guti foi receptivo e prometeu o máximo de empenho. Mas isso não basta. Por isso, o movimento sindical finaliza um documento a ser entregue ao prefeito, com propostas e reivindicações. Entre as quais que a Prefeitura massifique os meios de comunicação de denúncia dos cidadãos sobre problemas ligados à Covid-19. Neste momento, a força da boa informação pode salvar vidas.

Os trabalhadores serão informados de todos os passos dessas tratativas com as autoridades municipais. Peço, em nome dos demais companheiros, que você seja um fiscal atento das condições sanitárias e se proteja ao máximo. O Brasil, por omissão dos governantes, principalmente de Bolsonaro, já ocupa a segunda posição mundial em mortes pela Covid-19.

Prezado leitor: proteja sua saúde. Não se exponha e também procure o máximo de isolamento social. O novo coronavírus mata, e mata criança, jovem, adulto ou idoso. Ou seja, todo mundo é grupo de risco!

Arruaça política - A ideologia de cada um merece respeito. Mas precisa haver limites na ação política. Não é tolerável que grupos radicais ataquem a democracia, agridam a Constituição, atirem rojões no Supremo Tribunal Federal e invadam hospitais e enfermarias. O mais lamentável é que tudo isso ocorre debaixo das barbas do presidente da República, com o estímulo dele próprio ou de pessoa do seu entorno.

A Polícia já prendeu alguns desses arruaceiros e a Justiça entrou em ação. Mas é preciso que a sociedade fique atenta e repudie qualquer iniciativa contra o Estado de Direito. A intolerância é inimiga da democracia. Portanto, inimiga da inteligência, do diálogo e do progresso.

Não se omita na luta contra o vírus. Tampouco no combate aos extremistas, que fazem tanto mal ao nosso País.


José Pereira dos Santos
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região e secretário nacional de Formação da Força Sindical