Artigo - Pulso firme, tato delicado

Retomo esta expressão do Libertador Simon Bolívar para advertir as direções sindicais (principalmente aquelas diretamente relacionadas no dia-a-dia com as bases do movimento) sobre suas dificuldades, preocupações e necessidades.

A conjuntura econômica e social é muito desfavorável e a resistência torna-se uma tarefa complexa que exige unidade, inteligência, empenho e proximidade com os trabalhadores.

Os números da economia que se recupera seguindo a letra K, ou seja, com ganhadores em cima e perdedores embaixo, não mexem na curva do desemprego e do desalento que continuam altos e são o primeiro obstáculo à ação sindical.

No primeiro semestre deste ano metade dos acordos e convenções amargou perdas e a inflação continua subindo. Cada nova campanha salarial deve ser organizada com muita seriedade, como estão fazendo os metalúrgicos de São Paulo e do Paraná.

A própria recriação do ministério do Trabalho e Previdência, ao invés de benesse, transforma-se em uma nova alavanca da deforma trabalhista, reforçada agora pelos jabutis da MP 1.045 que passaram como boiada no Congresso Nacional.

E como se não bastasse, a situação ainda pandêmica criou enorme diversidade de problemas e tensões entre os setores produtivos, em cada um deles e mesmo dentro de cada empresa, o que exige atenção redobrada.

Este conjunto de elementos configura a típica situação em que as direções sindicais precisam de pulso firme e de tato delicado para manterem a relevância entre os trabalhadores, subindo até as bases, compreendendo seus problemas e as orientando.


João Guilherme Vargas Netto
É membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo