Artigo - Catraca eletrônica: ameaça ou oportunidade para o cobrador de ônibus?

Há muito tempo se discute o futuro dos postos de trabalho dos cobradores de ônibus, principalmente, após instalação das catracas eletrônicas nos coletivos da cidade de São Paulo.

Sempre que o Poder Público e os empresários se posicionam sobre este tema, a narrativa se repete. Segundo eles, não haverá demissões em massa. A eliminação será gradativa e terá um período de transição, muitos serão reaproveitados em outras funções, por meio de qualificação profissional, outros terão orientações do SEBRAE para montar o seu próprio negócio, etc.

Todos estes argumentos não passam de falácias e só demonstram que a Prefeitura de São Paulo não tem compromisso e vontade política para equacionar a situação com olhar voltado para o bem social.

Em um país com mais de 13 milhões de desempregados, a adoção de medidas que aumentem i desemprego, além de ser uma decisão insensata é uma atitude cruel com pais e mães de famílias, que dependem desses serviços para suprirem suas necessidades básicas. Por essas e outras razões é que a diretoria do Sindmotoristas tem um grande desafio pela frente: garantir mais de 19 mil postos de trabalho.

O Projeto de Desmobilização dos Postos de Trabalho dos Cobradores de Ônibus, elaborado conjuntamente entre SPTrans e SPUrbanuss (Poder Público e Sindicato dos Empresários) deve ser melhor discutido em um fórum com todos atores do setor de transporte, ou seja, com a sociedade, especialistas do setor, sindicatos e legislativo municipal.

Todo e qualquer posicionamento contrário a este encaminhamento, poderá ser taxado de paliativo, com vistas a facilitar os planos dos que querem se livrar dos custos operacionais sem levar em conta o custo social, que este projeto poderá impactar, negativamente, na vida dos trabalhadores e na prestação dos serviços para a população.

O desafio já estava previsto pelo Sindmotoristas. Haja visto que quem 2018, na eleição de renovação da diretoria da entidade, a Chapa 1 – encabeçada pelo presidente Valdevan Noventa – colocou em seu programa a defesa intransigente dos empregos dos cobradores.

Neste momento de ebulição e de fortes ataques aos direitos trabalhistas, com profundas mudanças no mundo do trabalho, provocados pela revolução cientifica e tecnológica, os desafios para os trabalhadores são ainda mais complexos. Por isso, precisamos fortalecer os laços de solidariedade de classes para juntos acompanhar, enfrentar e intervir nos debates dos temas que nos afetam.


Nailton Francisco de Souza
Secretário Nacional de Comunicação da Nova Central e Diretor Executivo do Sindmotoristas