Notícia - Oposição antecipa retorno a Brasília e quer ouvir Moro sobre denúncias

Estremeceu o mundo político a reportagem publicada no domingo (9) pelo site The Intercept Brasil, denunciando a existência de um conluio entre o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador das investigações da operação Lava Jato, e o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, quando este atuava como juiz federal em Curitiba (PR).

Em postagem no Instagram, a líder da minoria na Câmara, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), classificou o caso como “estarrecedor”.

“A Lava Jato, que sempre se intitulou apolítica e imparcial, tem seus interesses ideológicos expostos como nunca antes por uma fonte secreta. É revoltante o que se revela: um projeto de poder”, completou a parlamentar, que adiantou a vinda a Brasília para esta segunda-feira por conta da denúncia.

O líder do Psol, Ivan Valente (SP), também pelas redes, cobrou justiça: “Jogo combinado, ação ilegal de Moro e Dallagnol atropelando o Código Penal brasileiro. Moro agiu como um político e articulador, e não como um magistrado. Pressionou a PF e o MP e desmoralizou a Justiça. É preciso que se apure toda a verdade. Isso não pode ficar impune”.

O psolista acrescentou que irá apresentar dois requerimentos de convocação na Câmara, sendo um para que Moro deponha no plenário na Casa e outro para que ele preste esclarecimentos à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele também pretende representar contra Dallagnol no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), órgão responsável por supervisionar a atuação dos membros do MP.

Em vídeo publicado no Instagram, o líder da bancada do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), disse que a revelação é “o fato político mais relevante do último período e demonstra, de maneira inequívoca, as provas de que a Lava Jato se constituiu num projeto de poder”.

O líder do partido no Senado, Humberto Costa (PE), disse no Twitter: “O julgador orientando o acusador sobre como proceder contra o réu, Interferindo em todas as fases do processo. Coordenando diretamente, com riqueza de detalhes, todas as peças acusatórias que ele mesmo iria julgar. É de desmoronar instituições. É só o início do desvendar das vísceras de uma trama sórdida que terá sérias consequências futuras”.

Na tarde desta segunda, diferentes lideranças da oposição se reúnem em Brasília para discutir o caso e tratar dos encaminhamentos. A ideia é acertar uma estratégia conjunta de atuação.

Ex-presidenciáveis

Ex-candidatos à Presidência da República nas eleições de 2018 também se manifestaram.

“As mensagens reveladas pelo Intercept são devastadoras. O CNJ precisa agir imediatamente. A Lava Jato é uma organização criminosa”, disse pelo Twitter o líder do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) Guilherme Boulos, que concorreu no último pleito pelo Psol.

“Imaginem se houvesse um grupo entre Moro e os advogados de Lula e nele se discutissem linhas de defesa e a ordem dos inquéritos… Pois é, o oposto aconteceu. Se os envolvidos não forem punidos e as sentenças comprometidas anuladas, é a total desmoralização da República”, acrescentou Boulos em outro post.

O petista Fernando Haddad, que encabeçou a chapa presidencial do partido em 2018 após o indeferimento da candidatura Lula, graças à atuação de Moro e Dallagnol, também reagiu:

“Podemos estar diante do maior escândalo institucional da história da República. Muitos seriam presos, processos teriam que ser anulados e uma grande farsa seria revelada ao mundo. Vamos acompanhar com toda cautela, mas não podemos nos deter. Que se apure toda a verdade!”.

Lula

A defesa de Lula emitiu nota oficial em que afirma que o processo que levou à condenação do ex-presidente foi corrompido.

“Ninguém pode ter dúvida de que os processos contra o ex-presidente Lula estão corrompidos pelo que há de mais grave em termos de violações a garantias fundamentais e à negativa de direitos. O restabelecimento da liberdade plena de Lula é urgente, assim como o reconhecimento mais pleno e cabal de que ele não praticou qualquer crime e que é vítima de ‘lawfare’, que é a manipulação das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política”, diz o texto, assinado pelo advogado Cristiano Zanin Martins.

Ele também destaca que a atuação combinada entre Moro e procuradores da Lava Jato já havia sido denunciada em diferentes recursos judiciais e também comunicada ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, em 2016.

“A atuação ajustada dos procuradores e do ex-juiz da causa, com objetivos políticos, sujeitou Lula e sua família às mais diversas arbitrariedades. A esse cenário devem ser somadas diversas outras grosseiras ilegalidades, como a interceptação do principal ramal do nosso escritório de advocacia para que fosse acompanhada em tempo real a estratégia da defesa de Lula, além da prática de outros atos de intimidação e com o claro objetivo de inviabilizar a defesa do ex-presidente”, acrescenta Zanin.


Fonte:  cut - 11/06/2019


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