Notícia - Dino: "Bolsonaro precisa parar de atacar a verdade, a ciência e os governadores"

O governador do Maranhão, Flávio Dino, voltou a criticar a postura de Jair Bolsonaro na condução da crise do coronavírus. Em entrevista a CNN Brasil no início da noite desta quarta-feira 25, o político do PCdoB comentou a diferença de postura dos governadores e do governo federal diante da pandemia e defendeu que Bolsonaro assuma as responsabilidades inerentes ao cargo, agindo com base nas recomendações de cientistas e da Organização Mundial da Saúde.

“Nós temos muito nitidamente o contraste entre a união dos governadores, com uma posição muito clara de cuidado e atenção à crise sanitária e preocupação com a situação econômica, e o Governo Federal, nitidamente desorientado e que não tem sequer uma diretriz uniforme”, comparou o governador. “Por isso, decidimos seguir unidos e combatendo, sobretudo, esse discurso de quem protege as vidas está prejudicando a economia. Essa dicotomia é falsa, não há essa exclusão.”

Na entrevista, Dino também comentou as reuniões remotas feitas com outros governadores e explicou porque o governo federal não participou: “Na verdade, há uma auto-exclusão por parte do presidente da República. Ele pediu que os governadores comparecessem em reuniões regionais, e nós participamos com muita educação, gentileza, respeito e senso de colaboração, porque temos verdadeiro espírito patriótico. Terminado esse ciclo, o que ele fez? Ignorou o clima de diálogo e buscou colocar a população contra os governadores, tentando se eximir da sua própria responsabilidade.”

“Em todos os países do mundo, quem anuncia as medidas econômicas são os chefes de governo, não governadores de algum estado. Aqui no Brasil, os governadores tem que fazer a sua parte, que é cuidar do sistema de saúde e, ao mesmo tempo, ainda lidar com essa ausência de uma coordenação nacional. O que registramos na reunião de hoje é que desejamos que o governo federal unifique a sua posição na direção correta, abandone versões fantasiosas e conspiratórias que não tem base científica”, pediu Dino.

Ainda sobre a reunião, Dino contou que os 26 governadores presentes concordaram nos principais pontos. “Eu não ouvi nenhum dos colegas defendendo algo diferente do que temos feito. Ao contrário: houve uniformidade sobre a necessidade de compatibilizar as medidas sanitárias preventivas, como ampliação de leitos de UTI e de suprimentos de apoio aos profissionais de saúde, ao mesmo tempo em que mantemos a preocupação com as finanças públicas. Quem está dissonante disso é, apenas e exclusivamente, o presidente da República, infelizmente”, concluiu.

Já sobre a declaração de Bolsonaro a respeito de um risco de ruptura da ordem democrática motivada por caos social, Dino comentou: “A impressão que temos é que ele faz opção pelo caos, e essa afirmação revela isso. O que queremos é que ele governe. É o que todos os países estão fazendo e precisamos fazer também. Então, nós consideramos que, se houver caos social no Brasil, só existe um responsável: o presidente da República”, cravou.

“Se ele não tomar as medidas, essa ruptura pode infelizmente acontecer. E nós não queremos que aconteça, acreditamos que haverá a eleição em 2022 e vamos, se Deus quiser, disputar ao lado do campo nacional, popular e progressista. Não queremos nenhum tipo de atalho. Mas depende dele, ele precisa tomar as medidas, para evitar o desespero dos mais pobres, dos autônomos, dos micro-empresários. Esse é o apelo que fazemos porque acreditamos na democracia.”


Fonte:  Carta Capital - 26/03/2020


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