Notícia - A luta dos sindicatos em tempos de pandemia: Gilvandro Santa Brígida, presidente do SINDIQUÍMICOS-PA

Gilvandro Santa Brígida, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas de Barcarena do Estado do Pará (SINDIQUÍMICOS – filiado a CTB), disse que todos os acordos, até agora, foram coletivos, resguardando os direitos dos trabalhadores e a representatividade do Sindicato, até agora não houve demissões, garantindo os salários integralmente, sem a suspensão de contrato de trabalho. A produção continua na empresa. Nossos desafios são de evitar o alastramento e a contaminação do Covid-19 dentro da empresa.

Confira a entrevista na íntegra:

Como você avalia as Medidas Emergenciais para o enfrentamento do coronavírus (Covid-29), manutenção do Emprego e da Renda anunciadas pelo governo Bolsonaro até agora?

Gilvandro: As medidas tomadas pelo Governo até o momento nenhuma vem ao encontro dos anseios e necessidades dos trabalhadores e trabalhadoras. Se percebe o Governo falar muito na economia, e deve ter preocupação, mas agora o Governo Federal tem que fazer a parte dele para ajudar os Governadores e Prefeitos.

Precisa de medidas, principalmente, para socorrer os mais necessitados, cuidar das pessoas, da classe trabalhadora, daqueles informais e desempregados, daqueles que hoje não trabalham com carteira assinada, ajudar as empresas a manter os empregos e a renda dos funcionários/as e assim garantir a sobrevivência com dignidade dessas pessoas, em especial socorrer as mulheres mães solteiras chefes de famílias.

Bolsonaro governa por Medidas Provisórias e Decretos e nessas ações atacam diretamente os trabalhadores, seus direitos e suas organizações sindicais, com uma clara intenção de proteger os mais ricos. Bolsonaro é contra o isolamento social que é uma maneira de conter a pandemia, e estamos vendo pessoas no Pará e no Brasil sendo acometidas pelo coronavírus, adoecendo e muitas morrendo, hoje (18) mais de 16 mil mortes, e os investimentos do Governo Federal e apoios aos Estado estão atrasados, com pouco investimento na saúde.

Compreendemos ser necessário atitudes baseadas nas orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde), senão vamos ter um colapso total com pessoas morrendo nas portas dos hospitais e nas ruas. O Governo deve implementar medidas para a economia, para as empresas, as indústrias e etc., mas tem, primeiramente, que pensar nas pessoas, nos seres humanos, e o Bolsonaro em nenhum momento demonstra preocupação com as pessoas, os trabalhadores/as.

Quais os impactos da crise na sua categoria? Houve paralisação parcial ou total das atividades? Se não houve interrupção total, quais as medidas que estão sendo adotadas para preservar a vida, a saúde e a segurança dos trabalhadores?

Gilvandro: O Sindicato dos Químicos de Barcarena em relação às questões da categoria buscou e segue tomando todas as medidas e negociações de forma coletiva, aprovadas pelos trabalhadores, evitando os acordos individuais. Nós forçamos a barra e assinamos um ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) específico, emergência, logo após a edição da MP 927, para o período da pandemia, ele abrange tabela de turno, trabalho home Office, férias coletivas (se for necessário), devendo definir junto ao Sindicato.

Ainda garantimos um valor por função conforme tabela de turno, que mudou para 12 horas e o pagamento de R$ 500,00 por trabalhador a título de compensação pelo aumento da carga horária. Definimos férias para alguns trabalhadores, a libração do grupo de risco, conseguimos tirar todos acima de 60 anos, as grávidas, os cardiopatas e diabéticos. Temos aproximadamente mil trabalhadores fora da fábrica.

Implantamos o trabalho por turnos de 12 horas, manutenção do Administrativo, buscamos iniciativas para reduzir, também, o grande número de terceirizados, tudo para evitar grande aglomeração na fábrica, E mesmo assim temos um contingente considerável de trabalhadores infectados pelo covid-19, entre empregados diretos e terceirizados.

Seguimos diuturnamente negociando medidas e questões relevantes para o dia a dia dos trabalhadores, cobrando mais ações para evitar o alastramento e a perca do controle no combate do covid-2019 na empresa, evitando o adoecimento e a morte dos trabalhadores e de seus familiares.

O que está sendo feito para garantir empregos e salários? Como sindicato está atuando para garantir a negociação coletiva diante da pressão das empresas pelo acordo individual? quantas demissões ocorreram sua base da sua base até o momento?

Gilvandro: Em Barcarena nosso Sindicato é muito combativo e forte, é respeitado pelas empresas, principalmente pela Hydro Alunorte e Norsk Hydro, pela nossa seriedade e relação com as bases. A empresa até ensaiou fazer acordo unilateral, mas resistimos. Todos os acordos aqui foram coletivos, resguardando os direitos dos trabalhadores e a representatividade do Sindicato, até agora não houve demissões, garantindo os salários integralmente, sem a suspensão de contrato de trabalho. A produção continua na empresa. Nossos desafios são de evitar o alastramento e a contaminação do covid-19 dentro da empresa.

O que fazer nesta conjuntura complexa?

Gilvandro: Percebo que o movimento sindical e social está um pouco apático, acho que é o momento de luta. É urgente uma frente de luta contra as medidas e ações genocidas do Governo Bolsonaro. A gente precisa de imediato começar a discutir, formar um Fórum de discussão, mesmo à distância (virtual), para que possa se unir e mobilizar os trabalhadores, mostrando sua força, seu poder que eles têm nas mãos. Se a classe trabalhadora paralisar gerará um caos e o setor empresarial e os governos compreenderá a importância da força do trabalho.

É importante que as lideranças políticas de esquerda e democráticas se unifique com os movimentos sindical e sociais numa frente de salvação nacional, na defesa da democracia, dos direitos trabalhistas, na defesa da saúde, da vida, dos empregos, dos salários, de uma renda mínima para os trabalhadores informais e desempregados.

Unir para combater essa avalanche de medidas arbitrárias e autoritárias, totalmente ultraliberais, que impactam diretamente na vida do trabalhador. Precisamos avaliar e lançar em novas formas de lutas, temos que transformar a sociedade, sermos protagonistas rumo as saídas, que valorize o trabalho, a classe trabalhadora, a democracia e salvar o Brasil e seu povo das garras bolsonarista.

 

 


Fonte:  CTB - 20/05/2020


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