Artigo - Qual o preço que pagamos pra viver?

Acabo de ler “Histórias lindas de Morrer”, de Ana Cláudia Quintana Arantes, médica especialista em Cuidados Paliativos. Em outras palavras, a preocupação do Paliativista é encontrar o caminho para a morte digna, com privacidade, na busca da kalotanásia.

Parece irreal, mas já existe quem se especialize no tema e principalmente coloca em prática a saúde do bem estar, num País em que a polaridade está nos deixando sem norte, com desespero para vida e principalmente muitas vezes sem onde procurar a saúde que é garantida no texto constitucional.

Nesta semana, a sequência de horrores ficou por conta da morte Moise Mugenyi Kabagambe, de apenas 24 anos, espancado até o último suspiro. Motivo: reclamar pagamento de trabalho realizado, no valor R$ 200,00.

Negro, vindo do Congo em busca de vida melhor, acabou manchete da imprensa, como um fato que silenciou as vozes já no terceiro dia do acontecimento.

Em qualquer país civilizado, as manifestações estariam sendo manchetes de desaprovação, de justiça e de constrangimento, visto que devemos à África 350 anos de escravidão cruel.

O silêncio nos assusta. Quantos fatos mais deverão ocorrer pra que nossos sentimentos aflorem? 

Um trabalhador que vai em busca daquilo que executou recebe a morte como pagamento. Quantas situações de morte ainda testemuharemos pela fome, pelo desespero do desempregado em não levar alimento para seu lar?

Tristemente, tenho que admitir, o preço da vida em breve custará menos que um quilo da carne de gado. 

O desabafo seja o motivo de indignação que está atravessado na garganta daqueles que ainda apostam na vida.


Oswaldo Augusto de Barros
Presidente da NCST-CNTEEC-FEPPAAE
Coodenador-nacional do FST