Artigo - O Brasil Precisa Responder à Altura o Tarifaço de Trump

O Brasil é um país rico, com um povo maravilhoso, dono de um potencial econômico gigante e que não pode continuar se curvando diante de imposições estrangeiras. O tarifaço anunciado por Donald Trump, elevando em 10% as tarifas para produtos brasileiros, é mais um exemplo de como os Estados Unidos tentam impor suas vontades ao mundo, acreditando que todos dependem deles, enquanto eles não precisam de ninguém. Esse tempo já passou, o mundo mudou, e é hora de o Brasil se posicionar com firmeza.

Os Estados Unidos sempre foram um parceiro histórico do Brasil, mas parceria não significa submissão. A globalização abriu novas possibilidades e alternativas. Se a rota comercial com a América do Norte está sendo dificultada, que venham novos parceiros. O Brasil tem produtos de qualidade e mercados sedentos por nossas commodities e produtos industrializados. Não podemos continuar com o velho complexo de vira-lata, abaixando a cabeça toda vez que somos retaliados por aqueles que se acham os donos do mundo.

Estive recentemente na comitiva presidencial que viajou à Ásia para buscar novas oportunidades comerciais para o Brasil. E boas notícias vieram dessa missão: o Vietnã voltará a adquirir carne brasileira depois do impacto negativo causado pela desastrosa Operação Carne Fraca, em 2017. Uma operação que não trouxe resultado prático algum, mas que afetou drasticamente nossa indústria de carnes, prejudicando milhares de trabalhadores. Essa reabertura de mercado é uma demonstração clara de que há espaço para diversificarmos nossas parcerias e reduzirmos nossa dependência de mercados que, a qualquer momento, nos fecham as portas.

O Brasil precisa agir com reciprocidade. O Senado já aprovou a política de resposta proporcional, e a Câmara dos Deputados já aprovou a urgência para a votação do tema. Agora, cabe ao governo e ao Congresso agirem rapidamente para demonstrar que não seremos um país que aceita qualquer imposição de cabeça baixa. Não se trata de uma disputa entre governo e oposição, e sim de um ato de soberania nacional.

A história nos ensina que as nações que se impuseram no cenário internacional foram aquelas que tiveram coragem de reagir e buscar novas oportunidades. O Brasil precisa seguir esse caminho. Não podemos ser reféns de tarifas abusivas e nem ficar à mercê dos caprichos de um presidente norte-americano que não respeita seus parceiros comerciais. O futuro do Brasil passa por uma política comercial forte, autônoma e que valorize nossa capacidade produtiva.

Se os Estados Unidos querem dificultar nosso comércio, o Brasil tem que mostrar que sabe se reinventar e encontrar novos mercados. Esse é o caminho para uma nação soberana, respeitada e economicamente forte.


Ricardo Patah
Presidente da UGT

 

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