Artigo - Sobre a entrevista e foto de Lula na "Time"

Do meu modesto ponto de vista a revista norte-americana “Time” deu esta semana destaque ao ex-presidente Lula por uma série de fatores. Principalmente após o Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) reconhecer que Lula foi perseguido pela justiça brasileira e teve seu direito de defesa prejudicado. Sendo a “Time” uma das revistas mais importantes no mundo vê-se nesse gesto uma atitude de respeito para com um brasileiro que tem valorizado a democracia, o diálogo e demonstrado preocupação com o Brasil. Lula oferece segurança ao investidor, ao trabalhador e isso conta.

Óbvio que ser capa da “Time” é um reconhecimento internacional de que Lula é merecedor de crédito, em vez de acusações sem provas efetivas, como as que sofreu ao longo desses anos.  Isso terá um peso extraordinário nestas eleições. O duro é convencer certos indivíduos sobre a importância de se ter novamente o Lula presidente da República.

Vejo isso também como um recado aos investidores e aos políticos tipo: "escutem o que o Lula está dizendo". A “Time” não faz publicação desse tipo apenas por fazer. Há nisso um significado econômico e político dado pela revista e ainda em relação à foto de Lula ilustrando a sua capa.

Sendo o Brasil um país importante sob os mais diversos aspectos (somente indivíduos midiaticamente imbecilizados não o veem assim) ele está carente de uma grande liderança que cumpra o papel de fazer a economia avançar, melhorar o ambiente para investimentos na produção de bens e serviços e contribuir externamente para tornar as relações internacionais menos truncadas. E Lula quando governo mostrou capacidade nesses quesitos. Ninguém de juízo quer neste instante investir aqui. Bolsonaro não tem competência, nem Paulo Guedes. A economia está descontrolada e somente os agiotas estão ganhando.

Estou convencido de que o ministro Guedes, como especulador financeiro oriundo dos fundos de investimentos, da compra e venda de títulos da dívida pública e descolado da economia real, não conhece o Brasil tal como ele é. Desconhece o que é economia produtiva. Nada sabe, por exemplo, de produção industrial, agricultura familiar, empreendedorismo de verdade e não apenas em palavras, mas como medidas efetivas voltadas à geração de empregos e renda.

Obviamente que foi escolhido para dirigir o Ministério da Economia exatamente por ser quem ele é e para dar ao Brasil esse resultado desastroso. Pois por esse modelo somente uns poucos ganham enquanto o país derrapa em direção ao abismo.

Para recolocar a economia brasileira nos eixos, retomar o seu crescimento, gerar empregos e distribuir renda, aquecer o mercado de consumo, promover o desenvolvimento, Paulo Guedes não serve, já que não entende disso, nem possui interesse em aprender. Seu conceito sobre economia aponta noutra direção.

Industrialização, ou reindustrialização, não está no projeto dessa fração da burguesia que está ganhando muito, abocanhando hoje mais da metade do Orçamento federal e oferecendo sustentação política a Bolsonaro e a Guedes.

Tenho prestado atenção às falas de Guedes, observado as respostas que dá sobre economia, assim como tenho lido e conversado com inúmeras pessoas a respeito de economia produtiva. O que me permite esta breve análise sobre o que ele vem fazendo como ministro.

Desregular a economia é mais fácil e hoje bem ao gosto do mercado que sempre desejou operar sem regras. Mas o mercado por si é troglodita já que sua desmedida ganância leva inevitavelmente às crises. Foi assim e tem sido assim, aqui e em todo o mundo, onde o mercado agiu sem controle.

O papel de Guedes é promover a desregulação total, porém garantindo que o rentismo e o agronegócio exportador de commodities que não pagam impostos, nem distribuem riqueza, tenham segurança. Os demais segmentos, particularmente a força de trabalho, ficam largados ao deus-dará!

Quando Lula diz à “Time” que seu projeto é recuperar o Brasil para os brasileiros, ele está propondo reinserir os pobres no Orçamento público. Está defendendo um modelo econômico e social inclusivo em condições de assegurar crescimento, direitos e bem-estar, não apenas para alguns, como hoje, mas para milhões de brasileiros e brasileiras muitos dos quais tendo que enfrentar o drama da fome em um país com um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 8,7 trilhões (dados do IBGE/2021) e considerado o segundo maior produtor mundial de alimentos.


José Raimundo de Oliveira
Historiador, educador e ativista social