Notícia - Servidores lutam contra a terceirização do Hospital do Tatuapé, em SP

Servidores e servidoras da saúde realizaram um protesto em frente ao Hospital Municipal Dr. Cármino Caricchio, conhecido como Hospital Tatuapé, na zona leste, na manhã desta quarta-feira, 12. O ato foi motivado após as constantes tentativas do prefeito Ricardo Nunes (MDB) de entregar o local à iniciativa privada.

Nas últimas semanas, um comunicado do hospital informou que a contratação de novos funcionários se daria por meio de regime terceirizado, afetando setores como a UTI para adultos e a unidade de queimados, que é referência no estado. Aos poucos, a administração do hospital tem feito a transferência dos trabalhadores concursados para outros locais.

“Há algum tempo, a administração do hospital tem reduzido os investimentos e o número de trabalhadores na unidade de queimados, que é referência regional não só no município, e agora querem terceirizar e simplesmente retirar esses profissionais da unidade”, alerta a médica Juliana Salles, diretora-executiva da CUT-SP e dirigente do Sindicato dos Médicos (Simesp).

Durante o protesto desta terça, os participantes fizeram um cordão humano, simbolizando um abraço, em frente ao equipamento de saúde. Com gritos de ordem e cartazes, os manifestantes alertavam a população sobre os riscos de terceirização do sistema público.

Assistente social do Hospital de Itaquera, a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT Brasil Junéia Batista cobrou pela realização de mais concursos públicos. “A briga, para além de a gente acabar com essas organizações do capital, é a gente brigar por concursos públicos. Queremos mais fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, auxiliares e técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos e médicas para atender a população. Vamos lutar até o fim para impedir a entrega desse hospital”, afirma Junéia, também dirigente do Sindsep-SP.

Já o vice-presidente do Sindsep-SP, João Gabriel Guimarães Buonavita parabenizou a disposição de luta dos profissionais do hospital. O dirigente recorda que, ainda no início da pandemia de covid-19, em 2020, os trabalhadores desse hospital foram os primeiros a se levantar contra a falta de ação do governo, que deixou faltar EPIs (Equipamento de Proteção Individual), elevando o risco de contaminação dos funcionários.

“Esse hospital foi um dos primeiros a se levantar durante a pandemia e a denunciar a morte de trabalhadores da saúde, usando capa de chuva no lugar de avental. O custo que os trabalhadores pagaram [por denunciarem] à época foi alto. Foram colocados para trabalhar a 20, 30km distantes de suas casas”, disse.


Fonte:  Rafael Silva - CUT São Paulo - 13/01/2022


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