Notícia - Trabalhadores da Caoa Chery aprovam proposta de acordo

Os trabalhadores da Caoa Chery, em Jacareí, aprovaram em assembleia, nesta sexta-feira (10), o plano de indenização social para aqueles que vierem a ser demitidos com o fechamento da fábrica. A proposta foi apresentada pela empresa na audiência ocorrida ontem no Ministério Público do Trabalho.

A votação ocorreu na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas. No pacote aprovado, os 489 trabalhadores que serão desligados da planta receberão indenização de nove a 15 salários nominais (teto de R$ 5 mil por salário). O valor irá variar de acordo com o tempo de serviço de cada um. O desligamento acontecerá no dia 1º de julho.

A Caoa Chery também se comprometeu a estender o convênio médico, o plano odontológico e o vale-alimentação por 12 meses, a partir da data de demissão. A direção da fábrica assinou compromisso de dar prioridade aos atuais dispensados nas contratações relacionadas à modernização da planta, prevista para até 2025.

Segundo a direção da montadora, 100 trabalhadores permanecerão na fábrica em setores de vendas, pós-venda, manutenção, qualidade e logística. Dentro desse grupo estão cipeiros, acidentados e outros que têm estabilidade no trabalho. Aqueles que não quiserem ficar terão direito à indenização. 

Dias de luta

Durante 37 dias, o Sindicato lutou ao lado dos trabalhadores contra o fechamento da Caoa Chery e as demissões. Foi um período de intensa mobilização, com assembleias, passeatas, acampamento na fábrica, cobrança ao poder público e ações judiciais.

Quando anunciou o fechamento da planta, em 5 de maio, a empresa limitou-se a oferecer uma indenização de três salários aos demitidos. O Sindicato defendia a adoção de um plano de layoff, o que foi rejeitado repetidas vezes pela montadora.

Apesar da aprovação da nova proposta, o Sindicato dará prosseguimento à campanha contra o fechamento da fábrica. A exigência é de que a produção de carros elétricos fique em Jacareí, como foi prometido pela empresa. 

"Essa luta tem de ser valorizada por toda a categoria metalúrgica. Os trabalhadores estiveram na linha de frente, junto com o Sindicato, combatendo bravamente os ataques pretendidos pela Caoa Chery. Com as mobilizações, os companheiros saem de cabeça erguida dessa luta", afirma o diretor do Sindicato Anderson Elias Xavier.

Fábrica não pode ser fechada
Nas negociações com o Sindicato perante o Ministério Público do Trabalho (MPT), os representantes da montadora afirmaram que em 2025, ou até mesmo antes, a fábrica de Jacareí será reaberta. 

O Sindicato vai cobrar esse compromisso e exigir que os governos federal, estadual e municipal também façam essa cobrança. Até agora, o poder público não fez sua parte na luta contra o fechamento de mais uma fábrica na região e a desindustrialização pela qual passa o país. 

"Não vamos aceitar o fechamento da fábrica. A empresa foi beneficiada com incentivos fiscais e obras públicas, portanto tem de assumir sua responsabilidade com a cidade e os trabalhadores. O acordo aprovado hoje não significa o fim da guerra. Continuaremos juntos, organizados, para que a fábrica volte a operar em Jacareí", afirma o diretor do Sindicato Guirá Borba Guimarães.


Fonte:  Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos / Foto: Roosevelt Cássio - 13/06/2022

 

O Mundo Sindical e os cookies: nós usamos os cookies para guardar estatísticas de visitas, melhorando sua experiência de navegação.
Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.