No momento em que a Amazon anunciou a demissão de 16 mil trabalhadores, sindicalistas e parlamentares no Parlamento Europeu criticaram duramente a administração da empresa por desconsiderar a saúde dos trabalhadores e a democracia europeia.
A audiência contou com a presença de representantes da Amazon, após dois anos de os lobistas terem sido proibidos de participar no Parlamento Europeu.
Representando os trabalhadores, esteve presente o secretário-regional da UNI Global Union, Oliver Roethig. Ele falou sobre as condições de trabalho extenuantes nos armazéns da Amazon, onde os trabalhadores são submetidos a vigilância constante e pressão por desempenho.
Oliver afirmou: “Nos últimos cinco anos, a Amazon evitou um diálogo significativo com o Parlamento Europeu. Fico satisfeito que, após uma série de evasivas, a Amazon finalmente tenha enviado um executivo de alto nível a uma audiência no Parlamento Europeu.”
Oliver ainda falou sobre como a defesa da democracia da empresa é tão superficial quanto o compromisso com o bem-estar dos trabalhadores, e que, na Alemanha, a Amazon se recusa a negociar com o sindicato. “A competitividade europeia não deveria significar que multinacionais antissindicais e sonegadoras de impostos, como a Amazon, tenham vantagem competitiva sobre empregadores europeus decentes que assinam acordos coletivos e pagam seus impostos.”
O sindicato alemão que não consegue negociar com a Amazon é o Verdi. Silke Zimmer, membro do conselho executivo e responsável pelo setor varejista, esteve na audiência e falou: “O que é necessário é mais do que uma videochamada de Seattle. A Amazon precisa finalmente se comprometer com o diálogo social se quiser fazer negócios aqui. Isso significa criar ambientes de trabalho dignos e reconhecer os acordos coletivos de trabalho. A Amazon se recusa a fazer qualquer uma das duas coisas.”
No continente europeu, a Amazon ganhou destaque durante a pandemia de Covid-19 por não fornecer equipamentos de proteção para seus funcionários. O Parlamento Europeu realizou quatro audiências sobre o tema.
Esta é a primeira vez que representantes sindicais e a direção da Amazon se enfrentam na Comissão de Emprego do Parlamento. A presença da empresa estadunidense é resultado da pressão de sindicatos e eurodeputados. Em fevereiro de 2024, o Parlamento Europeu decidiu proibir a atuação de seus lobistas devido a repetidas recusas em atender às suas solicitações.
A Amazon investiu pesado no trabalho dos seus lobistas. Seu gasto foi de 7 milhões de euros, tornando-se a segunda empresa que mais gasta em lobby na União Europeia.
Uma das reivindicações dos sindicatos é a criação do que foi chamado de “imposto Amazon”: uma taxa abrangente sobre serviços digitais, para equilibrar a concorrência com os empregadores europeus que pagam sua justa parcela e firmam acordos com os sindicatos. Eles também pedem que a Amazon seja excluída de contratos públicos lucrativos, argumentando que o dinheiro dos contribuintes não deve financiar práticas antissindicais.
Nos próximos meses, o Parlamento Europeu tentará novamente organizar uma visita de uma delegação aos armazéns da Amazon para obter uma perspectiva em primeira mão sobre as condições de trabalho nesses locais. Oliver Roethig, Secretário Regional da UNI Europa, afirmou: “Para que os membros do Parlamento Europeu tenham uma visão equilibrada das condições de trabalho em um armazém da Amazon, é crucial que possam se reunir livremente com os trabalhadores e seus representantes sindicais.”