O vigésimo quarto artigo do dossiê “Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada de Trabalho”, organizado pelo Organizado pelo Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) em parceria com as centrais sindicais, aborda “Escala 6×1 e a saúde de trabalhadoras e trabalhadores“. O artigo é assinado por Monica Simone Pereira Olivar.
A autora demonstra que a escala 6×1 — seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso — contribui para o aumento de afastamentos por doenças, acidentes de trabalho e sofrimento psíquico.
Dados oficiais indicam que, somente em 2024, mais de 471 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais, quase o dobro do registrado no ano anterior. Ansiedade, depressão, estresse crônico e síndrome de burnout estão entre os principais diagnósticos.
O estudo também aponta crescimento expressivo dos acidentes de trabalho, que ultrapassaram 742 mil registros em 2024, com destaque para setores como comércio varejista, supermercados, hospitais, transporte e restaurantes — atividades fortemente marcadas por jornadas extenuantes e pela escala 6×1. Profissões como técnicos de enfermagem, operadores de caixa, vendedores, faxineiros e teleoperadores figuram entre as mais atingidas.
Segundo Olivar, a Reforma Trabalhista de 2017 agravou esse cenário ao flexibilizar a jornada e enfraquecer a relação entre tempo de trabalho, saúde e segurança. A autora defende que o trabalho deve ser compreendido como eixo central da determinação social da saúde, conforme o conceito ampliado adotado pelo Sistema Único de Saúde, e não apenas como uma variável econômica.
O artigo sustenta que a redução da jornada de trabalho, sem redução salarial, é uma medida estrutural de promoção da saúde, capaz de diminuir acidentes, adoecimentos e o desgaste físico e mental dos trabalhadores. O debate ganha atualidade com o fortalecimento das mobilizações contra a escala 6×1 e com a defesa de políticas públicas que coloquem a vida e o bem-estar acima da lógica da superexploração do trabalho.
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