Notícia - Trabalhadores informais de 23 países constroem articulação global em encontro na CUT

Na segunda-feira (2), a sede da CUT, em São Paulo, foi palco de um encontro internacional que reuniu entidades representativas de trabalhadoras e trabalhadores da economia informal e popular de 23 países e expôs não apenas as demandas desses segmentos, mas também sua capacidade de organização e articulação política, sindical e social na luta por trabalho digno, proteção social e reconhecimento de direitos historicamente negados às pessoas inseridas fora das estruturas formais de trabalho.

O encontro colocou no centro do debate os chamados trabalhadores “sem direitos” – catadores, ambulantes, trabalhadoras domésticas, trabalhadoras em domicílio, motoristas e entregadores por aplicativo, entre outros – reafirmando que a informalidade é estrutural nas economias capitalistas. Ao longo das mesas, personalidades convergiram no diagnóstico de que a organização coletiva, a negociação e a solidariedade internacional são caminhos indispensáveis para enfrentar a precarização, as desigualdades e os retrocessos democráticos.

Mediadora dos debates, Labora Fund – Apoio Filantrópico ao Poder Operário - reforçou que o encontro representa um acúmulo de processos construídos nos últimos anos, tanto no Brasil quanto em nível internacional, e que o objetivo é aprofundar articulações, compartilhar experiências e projetar uma agenda comum para o próximo período.

Informalidade no centro da estratégia sindical

Na mesa de abertura, o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antônio Lisboa, ressaltou que mais de 60% da força de trabalho mundial está na informalidade, o que impõe uma transformação profunda no sindicalismo. “Não tem como uma central sindical não olhar para isso. Senão a gente só vai continuar olhando para aqueles que já estão na formalidade”, afirmou.

Segundo ele, a CUT assumiu a agenda da economia informal de forma estratégica, compreendendo que a formalização, isoladamente, não responde às desigualdades estruturais. “Não basta só a formalidade, é preciso que exista direitos do trabalho”, disse, ao mencionar a Recomendação 204 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da transição da economia informal para a formal com base em direitos.

Lisboa também lembrou processos recentes de filiação de organizações de trabalhadores informais à CUT, reforçando o compromisso da central com a organização de toda a classe trabalhadora. “Não só aquela que tem carteira assinada, mas também aqueles e aquelas que constroem a economia popular no dia a dia”, afirmou.

 


Fonte:  André Accarini - CUT / Foto: Roberto Parizotti - 04/02/2026

 

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