Notícia - Isenção do IR beneficia mais de 15 milhões de trabalhadores, diz estudo do Dieese

Dados de um estudo elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre os impactos da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais e reduz a cobrança para rendas intermediárias comprovam o que a CUT tem dito ao longo de sua história sobre justiça tributária–quem ganha mais tem de pagar mais, quem ganha menos tem de pagar menos.

“Essa é uma luta de muitos anos das centrais sindicais, especialmente da CUT, pela atualização da tabela do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. É uma conquista importante para a classe trabalhadora”, afirmou o secretário-geral da CUT, Renato Zulato, num ato promovido pela CUT no último dia 5.

A nova regra foi sancionada em novembro de 2025 pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva e ela já pode ser sentida nos holerites de fevereiro.

O estudo

A nota técnica  do  DIEESE  mostra que a Lei nº 15.270 deve retirar ou reduzir o imposto de aproximadamente 15 milhões de trabalhadores e trabalhadoras. Cerca de 10 milhões de pessoas deixam de pagar o Imposto de Renda e outras cinco milhões passam a recolher menos. Entre os beneficiados estão 8,9 milhões de homens e 6,2 milhões de mulheres.

O recorte por cor e raça evidencia desigualdades estruturais do mercado de trabalho. Entre os celetistas, 92% das mulheres negras e 88% dos homens negros passam a ficar totalmente isentos do imposto. Entre homens não negros, o percentual é de 77%.

Na prática, a medida alcança quase integralmente setores de menor remuneração. No serviço doméstico, 97% das trabalhadoras e trabalhadores ficam isentos. Nos ramos de alojamento e alimentação, o índice chega a 96%.

No comércio, cerca de 91% dos empregados deixam de pagar o imposto, representando aproximadamente 8,5 milhões de comerciários. Mesmo na indústria de transformação, setor com salários médios mais elevados, 80% dos trabalhadores são beneficiados.

Paga mais quem ganha mais

Contribuintes com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil passam a pagar alíquotas progressivas, que chegam a 10% para quem recebe acima de R$ 1,2 milhão por ano. Cerca de 140 mil pessoas estão nesse grupo.

Antes da reforma, o sistema brasileiro era regressivo no topo da renda. Pessoas muito ricas pagavam, proporcionalmente, menos imposto do que trabalhadores de renda intermediária. A nova lei busca alterar essa lógica.

O efeito na economia

O impacto econômico também é relevante. O DIEESE estima que cerca de R$ 26,2 bilhões adicionais por ano passem a circular na economia, sendo R$ 20,9 bilhões entre celetistas e R$ 5,2 bilhões entre servidores estatutários.

Esse aumento da renda disponível tende a fortalecer o consumo das famílias e dinamizar o mercado interno.

Informar é preciso

O estudo também aponta um desafio de informação, pois 75% da população apoiam a ampliação da isenção e 60% defendem a taxação dos super-ricos, mas 56% ainda desconhecem essa política pública.

Veja o a nota completa do Diesse, clicando aqui.

Para a CUT, a ampliação da isenção do Imposto de Renda mostra que a organização e a luta coletiva produzem resultados concretos na vida da classe trabalhadora. A entidade destaca, no entanto, que a mobilização precisa continuar em outras frentes, como no enfrentamento à jornada 6x1, que compromete a saúde, o convívio familiar e a qualidade de vida de milhões de trabalhadores.

“Vamos continuar lutando durante todo o ano e orientando os sindicatos a incluírem essas reivindicações nas negociações coletivas, para criar um paradigma nacional e demonstrar ao Congresso que se trata de uma grande manifestação popular”, afirmou Renato Zulato.


Fonte:  Luiz R Cabral | Editado por: André Accarini - CUT - 06/02/2026

 

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