Mais uma vez em um auditório do Sindicato dos Químicos de São Paulo completamente tomado pela categoria, o SindSaúde-SP deu início à campanha salarial com a aprovação por unanimidade da pauta de reivindicações.
A primeira assembleia de 2026 na manhã desta quarta-feira (25) apontou quais serão as principais bandeiras de luta do sindicato no ano que tende a ser mais ‘curto’ por conta do afastamento e engajamento de governadores e parlamentares candidatos às eleições aos governos e à presidência.
Entre os principais pontos de pauta, estão o aumento do valor do auxílio-alimentação, congelado há anos em R$ 12 reais, a apresentação de um novo valor do Prêmio Incentivo e o aumento no valor da Gratificação pelo Desempenho e Apoio à Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Gdamspe).
Todos compromissos acordados com o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2025, porém, não honrados pela gestão.
Presidente do SindSaúde-SP, Gervásio Foganholi, apontou que a pauta contempla as necessidades dos profissionais da saúde, das autarquias à administração direita, incluindo municipalizados(as) e aposentados(as) e será complementada com as demandas que foram democraticamente apresentadas durante a assembleia.
“Agora, vamos protocolar nossas reivindicações junto ao governador, à Casa Civil, Secretária da Fazenda, Secretária de Gestão e Governo Digital, Secretaria da Saúde, Coordenadoria de Recursos Humanos e Superintendência das autarquias. Além disso, também levaremos a pauta para a Assembleia Legislativa de São Paulo, onde protocolaremos junto às lideranças para que a população saiba, em ano eleitoral, quem tem compromisso com a saúde paulista”, explicou.
O dirigente afirmou também que serão solicitados ofícios para começar a discutir na mesa o que foi aprovado pela categoria.
Apoio
Com a presença também do deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino (PT), do Hélio Rodrigues, vereador da capital paulista e presidente do Sindicato dos Químicos e do Secretário de Organização e Política Sindical da CUT-SP e diretor executivo do SindSaúde-SP, Helcio Marcelino, o encontro tratou ainda da importância de um ano eleitoral na vida do funcionalismo. Afinal, as escolhas nas urnas definirão se as políticas que irão vigorar serão do aprofundamento da terceirização e da privatização, como tem ocorrido, ou se haverá valorização do setor.
Em nome da CUT-SP, Helcio ressaltou que trabalhadores(as) do setor público farão, em paralelo às demandas individuais de cada categoria, uma campanha salarial unificada e a primeira mobilização do segmento já está marcada: dia 20 de março, quando haverá uma greve geral dos serviços públicos para denunciar o sucateamento promovido pela gestão Tarcísio.
Diante desse cenário, Gervásio apontou ainda que a campanha salarial deste ano será um espaço para discutir com os paulistas os rumos do estado.
“Vamos cobrar a reposição das nossas perdas, aumento real e dialogar para conscientizar a população para que vote e escolha quem tem compromisso com a saúde. Porque se a opção for por melhorar e fazer com que efetivamente tenhamos atendimento público e para todos, não dá para continuar como está”, disse.
Confira abaixo os principais pontos da Campanha Salarial 2026:
Valorização salarial
A categoria cobra a recomposição inflacionária na data-base (1º de março), que está 3,31%; a reposição das perdas históricas dos últimos dez anos, que levando em consideração as médias dos reajustes concedidos para a técnica e administrativa nesse período é de 30,51%; e o aumento real em 2%.
Os profissionais também solicitam reajuste de 41,80% no Prêmio de Incentivo; reajuste anual das gratificações; reajuste de 23,99% na Insalubridade; e da Unidade Básica de Valor (UBV), em 100,71%.
Auxílio-alimentação
Nesta Campanha Salarial também teremos uma luta importante que deve mobilizar todo o funcionalismo público estadual, que é o reajuste do auxílio-alimentação para R$ 60,72, valor médio da refeição da cidade de São Paulo no ano de 2025, de acordo com Pesquisa Preço Médio Refeição, realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT).
Os(as) trabalhadores(as) reivindicam que o auxílio seja pago por 30 dias corridos, nas férias e durante o afastamento, sem que haja teto salarial para a concessão do benefício.
Aposentados(as)
A novidade na pauta deste ano é o pleito da implementação do auxílio-nutrição no valor de R$ 60,72, para os(as) aposentados(as). Além da garantia de isonomia, estendendo os reajustes concedidos aos(às) trabalhadores(as) ativos também para os(as) aposentados(as) com e sem paridade, assim como os reajustes do Prêmio de Incentivo, os 2% de aumento real e mais o reajuste inflacionário. Este ano, apenas os(as) aposentados(as) e pensionistas sem paridade tiveram reajuste e foi de apenas 3,83% (clique aqui e saiba mais).
Revogação da Reforma Administrativa
A categoria exige a revogação de alguns artigos da Lei Complementar 1.361/21, que instituiu a Reforma Administrativa, para garantir novamente as seis faltas abonadas; o reajuste automático anual do Adicional de Insalubridade; e o fim da restrição do abono permanência.
Autarquias
Os(as) trabalhadores(as) administrativos das autarquias, como HCs e Iamspe, reivindicam 30 horas de jornada máxima sem a redução salarial para todos(as) os(as) trabalhadores(as) administrativos, como recomendam a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) e já foi conquistado pelos trabalhadores da administração direta.
Além disso, querem a concessão de licença-maternidade por 180 dias, com exceção do HC de Ribeirão que já conquistou esse direito na negociação regional em 2024; a implementação de Programa de Saúde da Mulher no Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (Sesmts), na própria unidade; e a ampliação das ações de saúde mental.
Iamspe
Além dos itens citados acima, os profissionais do Iamspe também reivindicam a equiparação do valor da Gratificação pelo Desempenho e Apoio e à Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Gdamspe) ao valor do Prêmio de Incentivo, que é pago aos(às) trabalhadores(as) da Administração Direta na Saúde. Compromisso firmado pelo governo Tarcísio, que ainda não foi cumprido.
Também pensando em garantir o reconhecimento da igualdade entre os(as) trabalhadores(as) da saúde, solicitam o pagamento da Gratificação Especial de Suporte à Saúde (GESS), assim como para todos(as) os(as) profissionais de saúde e a manutenção do pagamento de todas as gratificações, nos casos de licença-saúde.
Municipalizados(as)
A pauta dos(as) municipalizados(as) será discutida de acordo com as realidades de cada município, mas há pontos que em comum, entre eles, a reivindicação de que a Secretária de Estado da Saúde (SES) se responsabilize pela vida funcional dos trabalhadores transferidos para unidades municipalizadas e a garantia de isonomia salarial para todos os municipalizados.
Também reivindicam a extensão do pagamento de plantão extra instituído pela Lei Complementar 1.157/2011 para os trabalhadores estaduais municipalizados, convocados para atuar em campanhas de vacinação ou outras, de âmbito municipal.
No caso da capital, por exemplo, entre os pontos estão o reajuste de gratificação de municipalização; pagamento da gratificação de difícil acesso para unidades elegíveis; o pagamento de plantão extra e de horas suplementares; gratificação de atendimento ao público; gratificação por local de trabalho; extensão do trabalho em home office; complemento de auxílio alimentação/refeição; fim do assédio moral; e negociação com o secretário municipal de saúde.
Pisos
A categoria cobrou ainda a imediata implementação dos pisos salariais regulamentados, tais como o piso dos técnicos de radiologia e o piso dos agentes de endemias. Contudo, no caso do estado de São Paulo, é importante destacar que a função dos agentes de endemias corresponde à atuação dos desinsetizadores, que atuavam na extinta Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e atualmente estão na Coordenadoria do Controle de Doenças (CCD), que têm direito ao piso por conta da atividade exercida.
SAP
O SindSaúde-SP também representa os profissionais da saúde que atuam na Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) e reivindica a equiparação da Gratificação pelo Desempenho e Apoio às Atividades Periciais e de Assistência à Saúde (GDAPAS) ao valor do Prêmio de Incentivo pago aos(às) trabalhadores(as) da administração direta na Saúde.
O SindSaúde-SP irá protocolar as pautas nas secretarias de estado nos próximos dias e em breve vamos disponibilizar os documentos na íntegra aqui em nosso site.