Notícia - CTB participa de reunião do Fórum das Centrais com a OIT e reforça defesa do trabalho decente e da redução da jornada

Representantes do Fórum das Centrais Sindicais se reuniram nesta terça-feira (3), em Brasília, com a diretora regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Ana Virgínia Moreira, para debater o Plano Nacional de Trabalho Decente e os principais desafios do mundo do trabalho no Brasil. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) esteve representada pelo secretário-geral, Ronaldo Leite, e pelo secretário adjunto de Relações Internacionais, Nivaldo Santana.

Segundo Nivaldo Santana, o encontro foi marcado por um diálogo estratégico sobre as prioridades da agenda trabalhista no país.

“A representante da OIT, Ana Virgínia Moreira, recebeu os representantes das centrais sindicais para discutir o Plano Nacional do Trabalho Decente. As principais questões levantadas pelos dirigentes sindicais foram a luta pela redução da jornada de trabalho, a defesa dos direitos das mulheres — contra o feminicídio e pela igualdade salarial e profissional — e a regulação do trabalho diante da transição tecnológica e dos impactos provocados pela inteligência artificial. A reunião antecedeu a abertura da II Conferência Nacional do Trabalho, que será realizada de 3 a 5 de março, no Anhembi. A OIT também vai se reunir com representantes patronais e do governo, em um espaço de diálogo social tripartite”, afirmou.

Café da manhã em São Paulo debate prioridades da OIT

Ainda na manhã do dia 3 de março, já em São Paulo, as centrais sindicais participaram de um café da manhã com Ana Virgínia Moreira, por ocasião da II Conferência Nacional do Trabalho. O encontro teve como objetivo discutir as prioridades da OIT no Brasil para os próximos quatro a cinco anos, com destaque para o Plano Nacional de Trabalho Decente e para a reforma institucional da entidade, que busca maior descentralização e foco na cooperação técnica.

Entre os principais temas debatidos estiveram o enfraquecimento sindical após a reforma trabalhista de 2017, a necessidade de fortalecimento do diálogo social e a urgência de retomar o debate sobre a redução da jornada, com o fim da escala 6×1. As centrais também ressaltaram a importância de qualificar o debate sobre produtividade, enfrentando a lógica de baixos salários como fator estrutural da baixa competitividade no país.

O secretário-geral da CTB, Ronaldo Leite, destacou a importância da interlocução internacional neste momento.

“Esse diálogo com a OIT é fundamental para que as centrais sindicais tenham voz na definição das prioridades estratégicas para o Brasil. Não se trata apenas de formular diagnósticos, mas de construir compromissos concretos com o trabalho decente, a valorização da negociação coletiva e o fortalecimento das entidades sindicais”, afirmou.

Direitos das mulheres, tecnologia e transição justa

O combate à violência e à desigualdade de gênero no trabalho também esteve no centro das discussões, com ênfase na necessidade de ampliar estatísticas oficiais, fortalecer a negociação coletiva como instrumento de proteção e ampliar a formação de dirigentes sindicais mulheres.

Outro eixo central foi o impacto das novas tecnologias, da digitalização, da inteligência artificial e da expansão do trabalho em plataformas digitais. As centrais defenderam a regulamentação dessas modalidades, a garantia de proteção previdenciária e o enfrentamento de formas contemporâneas de exploração.

Também foram abordados temas como o combate ao racismo, os impactos das mudanças climáticas e a construção de uma transição justa, além da erradicação do trabalho infantil e da relação entre comércio internacional e direitos trabalhistas.

O encontro reafirmou a importância da participação ativa das centrais sindicais na definição das prioridades da OIT no Brasil, fortalecendo uma agenda que responda aos desafios estruturais do mundo do trabalho e promova desenvolvimento com justiça social.


Fonte:  CTB - 03/03/2026

 

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