A defesa da liberdade religiosa e o enfrentamento ao racismo religioso foram temas centrais da abertura do projeto “Diálogos de Fé – Luta pela Liberdade Religiosa”, realizada no sábado (7), na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região. A atividade reuniu lideranças religiosas de diferentes tradições, representantes do movimento social, pesquisadores e integrantes da comunidade para discutir fé, cultura e direitos humanos.
A abertura do encontro foi conduzida pelo presidente do Sindicato, Leandro Soares, que destacou o papel das entidades sindicais na promoção de debates que ampliem direitos e fortaleçam a convivência democrática.
Segundo ele, o racismo religioso precisa ser combatido com debates.
“O racismo religioso ainda é uma realidade no Brasil e precisa ser enfrentado com informação, diálogo e mobilização social. Abrir as portas do Sindicato para esse debate é reafirmar nosso compromisso com a igualdade e com o respeito à diversidade.”
Antes do início das mesas de debate, sacerdotisas de religiões de matriz africana conduziram uma lavagem de purificação, ritual simbólico que marcou o início das atividades e ressaltou a presença das tradições afro-brasileiras na programação.
Mulheres, fé e protagonismo
A primeira mesa do dia reuniu convidadas para discutir o tema “Cultura, fé e luta: mulheres afro-brasileiras em destaque”, abordando o papel das mulheres na preservação das tradições religiosas, na produção cultural e na luta por direitos.
O debate contou com a participação da advogada Manu Barros, da dirigente sindical e metalúrgica Priscila dos Passos Silva, da assistente social Fabiana Soranz, da professora Andreia Ângelo dos Santos e da yalorixá Mãe Fernanda. A mediação foi realizada pela atriz Clarice Santos.
Convivência entre crenças
No período da tarde, a mesa “A fé no outro: caminhos para coexistência” discutiu formas de enfrentar a intolerância religiosa e construir relações de respeito entre diferentes crenças.
A conversa foi mediada pelo educador e ativista Douglas Belchior e reuniu lideranças religiosas e representantes da sociedade civil, entre eles Pai Nivaldo, Mãe Viviane de Iemanjá, Padre Benedito de Jesus Halter, a professora Glaice, a educadora Ana Paula e a liderança evangélica Roberta Pereira, primeira Secretária Jurídica do município de Sorocaba e associada do movimento EIG – Mulheres Evangélicas pela Igualdade de Gênero.
Cultura como resistência
Além dos debates, a programação também contou com momentos culturais. O encerramento foi marcado pela roda de samba do grupo Samba do Laço, coletivo sorocabano dedicado à valorização do samba de terreiro e da cultura afro-brasileira.
Próxima atividade
A programação do projeto Diálogos de Fé – Luta pela Liberdade Religiosa continua ao longo do mês de março com novas atividades abertas ao público. O próximo encontro acontece no dia 12 de março, quinta-feira, às 19h, com uma sessão de cinema seguida de conversa.
Na atividade será exibido o documentário Maracatu – Sou Cultura Popular, que aborda a força e a resistência das expressões culturais brasileiras. Após a exibição, haverá bate-papo com Rodrigo Fonseca (Cataia), artista multimídia, músico e produtor cultural com mais de 26 anos de trajetória. Ele lidera a Banda Cataia, com trabalho voltado à cultura popular brasileira, ao fandango caiçara e ao forró, e atualmente é mestrando em Comunicação e Cultura.