Notícia - Redução da jornada: Força Sindical intensifica a negociação coletiva

Dirigentes sindicais de diversas categorias industriais que negociam com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) se reuniram nesta segunda-feira (16), na sede da Força Sindical, na capital paulista, para discutir estratégias de mobilização em defesa da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.

O encontro foi convocado oficialmente pela central por meio de ofício assinado pelo presidente da entidade, Miguel Torres. O documento, datado de 10 de março, convidou representantes de categorias da área industrial para debater ações conjuntas e fortalecer a articulação entre os sindicatos que negociam com o setor empresarial ligado à Fiesp.

Declarações

“Vamos intensificar as mobilizações e ações, tanto nas empresas, incentivando negociações locais  como atuar  no Congresso Nacional”, adiantou Miguel Torres.

O presidente da Federação dos Químicos no Estado de São Paulo (Fequimfar), Sérgio Luiz Leite (Serginho), destacou que a redução da jornada de trabalho pode trazer ganhos importantes para os trabalhadores.

“A redução da jornada irá melhorar a qualidade de vida e a qualificação dos trabalhadores”, afirmou.

O secretário-geral da Federação dos Metalúrgicos de São Paulo, Claudio Magrão de Camargo, ressaltou que, apesar da diversidade existente entre as categorias, a unidade é fundamental para avançar nas reivindicações.

“A diversidade nas categorias é muito grande. O importante é unirmos as categorias e fortalecer a luta para avançarmos na redução da jornada de trabalho”, reforçou.

Já o presidente do Sindicato dos Borracheiros de São Paulo e Santo André (Sintrabor), Márcio Ferreira, destacou que as entidades sindicais possuem experiência e instrumentos para ampliar a mobilização.

“Os sindicatos têm ferramentas e conhecimentos para intensificar a luta. Nas fábricas já há negociação”, ressaltou.

O presidente do Sindicato dos Têxteis de São Paulo, Sérgio Marques, também enfatizou a importância de fortalecer a mobilização pelo fim da escala 6×1.

“A redução da jornada irá gerar empregos”, afirmou.

Redução da jornada

Durante o encontro, dirigentes também fizeram uma avaliação sobre o debate recente em torno da redução da jornada e da escala 6×1 nas redes sociais. Segundo a análise apresentada, o tema ganhou visibilidade a partir de mobilizações digitais, muitas vezes conduzidas por lideranças políticas sem vínculo direto com o movimento sindical.

Na avaliação dos sindicalistas, embora esse movimento tenha contribuído para ampliar o debate público e até impulsionado iniciativas políticas, ele não resultou na construção de organização coletiva entre os trabalhadores nem incentivou a participação nas entidades sindicais.

Dirigentes destacaram que a negociação efetiva das condições de trabalho depende da atuação das entidades representativas. “Quem tem poder de negociação são os sindicatos”, ressaltaram.

Diante desse cenário, a estratégia definida na reunião é retomar o protagonismo das entidades sindicais na condução da pauta da redução da jornada, levando reivindicações organizadas pelos sindicatos e federações diretamente aos setores patronais.

A iniciativa deve começar pelo setor industrial, com negociações junto às empresas e entidades empresariais. A proposta é ampliar posteriormente o debate para comércio e serviços, buscando incentivar a mobilização em todo o país.

Outro eixo da estratégia é estimular a organização dos trabalhadores nos locais de trabalho e fortalecer as negociações coletivas por empresa e por setor econômico, conduzidas pelos sindicatos e federações de trabalhadores.

“A intenção é dialogar com os setores e desenvolver, juntos, estratégias de luta e negociar e pressionar   o setor patronal”, finalizou Miguel Torres.

Representatividade

A mobilização envolve uma ampla base sindical no Estado de São Paulo. Levantamento apresentado na reunião aponta que a central reúne 206 entidades filiadas no estado, sendo 199 sindicatos da área industrial que participam diretamente das articulações com o setor produtivo.

Desse total, 24 entidades estão localizadas na Grande São Paulo, distribuídas entre os setores:

  • metalúrgico (7),
  • químico (5),
  • têxtil e vestuário (5) e outras categorias.

Já no interior do estado, o número chega a 161 entidades, abrangendo categorias como:

  • alimentação (34),
  • construção civil (4),
  • eletricitários (2),
  • gráficos (17),
  • metalúrgicos (48),
  • químicos (40) e
  • têxtil e vestuário (16).

No estado de São Paulo, a Força Sindical reúne 202 entidades sindicais do setor industrial, que representam 1.370.687 trabalhadores distribuídos em sete categorias da indústria.

Entre elas estão:

  • metalúrgicos, com 486.034 trabalhadores;
  • construção civil, com 351.056;
  • têxtil e vestuário, com 183.890;
  • químicos, com 149.884;
  • alimentação, com 105.393;
  • gráficos, com 84.300;
  • e eletricitários, com 10.130 trabalhadores.

Esses números demonstram a forte presença sindical e a ampla representação de trabalhadores industriais no estado.


Fonte:  Rádio Peão Brasil - 17/03/2026

 

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