Nesta sexta-feira (20), trabalhadores de diversas regiões do país protagonizam um dia nacional de agitação e panfletagens pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários. A mobilização, convocada pelo Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), centrais sindicais e movimentos sociais, novamente leva às ruas a exigência do fim dessa escala desumana, diante da falta de avanço da proposta no Congresso Nacional.
A mobilização foi organizada com atividades em pontos de grande circulação, como estações de transporte público e regiões centrais. Em São Paulo, a CSP-Conlutas participou das ações realizadas nas estações Itaquera e Anhangabaú do Metrô, locais de grande movimentação, onde a precarização das condições de trabalho se expressa todos os dias.
“Nós estamos na rua hoje, porque se depender dos de cima, do Congresso Nacional e do governo Lula, que até agora não apresentou o projeto de urgência que prometeu, a gente nunca vai ter o fim dessa escala de escravidão”, afirmou Renata França, ativista da CSP-Conlutas e da luta pelo fim da escala 6x1.
“A CSP-Conlutas está nas ruas nessa luta nacional para exigir o fim da escala 6x1, com redução da jornada semana para 36h semanais, sem redução de salário e direitos”, afirma Cleber Rabelo, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém.
Ofensiva patronal quer barrar aprovação de lei
O dia de agitação ocorre em um cenário de paralisia das propostas que tratam da redução da jornada no Congresso Nacional. Apesar da pressão social crescente e do apoio majoritário ao fim da escala 6x1 entre a população, conforme apontam pesquisas, o presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou que pretende desacelerar o debate.
Em reunião com a Frente Parlamentar do Empreendedorismo essa semana, defendeu que o tema seja tratado com “cautela”, numa manobra para prolongar a tramitação, abrindo ainda mais espaço para maior influência dos interesses patronais.
Já o Projeto de Lei 67/2025, de autoria da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que propõe a redução da jornada para 40 horas semanais, com escala 5×2, foi retirado de pauta da Comissão do Trabalho da Câmara nesta semana. O adiamento da discussão foi feito a pedido do deputado Zé Adriano (PP-AC), que também é presidente da Fieac (Federação das Indústrias do Acre).
O fato é que a enrolação no Congresso para colocar em votação do fim da escala 6x1 e da redução da jornada reflete a ofensiva articulada entre setores da ultradireita e do empresariado, que resistem a qualquer medida que reduza a exploração dos trabalhadores brasileiros.
Ao mesmo tempo, o governo Lula segue com a linha de conciliação com a burguesia, defendendo a necessidade de “ouvir” os empresários. O próprio Ministério do Trabalho, como já declarou o ministro Luiz Marinho, defende no máximo a redução da jornada para 40 horas com escala 5x2, proposta aquém da PEC parada no Congresso que prevê jornada de 36 horas semanais com escala 4x3.
A CSP-Conlutas defende que é preciso intensificar a luta nos locais de trabalho e nas ruas, construindo uma grande mobilização para pressionar, de fato, o Congresso, o governo e a patronal. Só com luta será possível arrancar o fim dessa escala exaustiva e desumana.