Trabalhadoras, trabalhadores, lideranças de entidades sindicais e sociais e parlamentares se reuniram no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para o lançamento da cartilha “Papo de homem: Violência contra a mulher – Temos que dar um fim!”. O evento foi realizado na quinta-feira, 19, em São Bernardo do Campo, e contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
“Chega de acordar todo dia e ver mulheres assassinadas pelo amor da vida dela, pelo pai do filho. Basta! E isso só vai ser possível se os companheiros homens derem as mãos para nós”, desabafou Andrea Sousa, diretora executiva dos Metalúrgicos do ABC, ao dar boas-vindas e pedir para o público dar as mãos como forma de apoio ao combate à violência contra a mulher.
O chamado para ação dos homens foi reforçado pelo presidente dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges. “A violência contra a mulher não cabe no projeto da classe trabalhadora. De onde vem tanto ódio? Matar uma mulher por não aceitar o fim de um relacionamento é inadmissível”, comenta o dirigente sindical.
Durante o evento, a Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou o desafio de pautar e combater o machismo após o retrocesso durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. “De 2016 a 2022, nós adoecemos. Era uma crise ética, política, de um ex-presidente que rebaixou as mulheres, nos humilhou. Com a volta do governo Lula, as mulheres voltaram, os conselhos, as conferências, as marchas das mulheres negras, das margaridas, das indígenas”, pontua Márcia.
Márcia ressalta a importância da cartilha para estimular o debate. “Parabéns pela iniciativa, a cartilha é inovadora no movimento sindical, vou levá-la para onde eu for. Precisamos espalhar o material, traduzir para o espanhol e inglês”, disse.
A mesa, que contou com a mediação de Cleide Tameirão, coordenadora da CUT-SP subsede ABC, também trouxe a participação de Flávio Urra, coordenador do projeto “E agora, José?”. O programa dirigido por Urra tem o objetivo de estimular o debate entre homens que já cometeram violações contra mulheres. São encontros que refletem sobre o machismo e a masculinidade e ocorrem no ABC Paulista.
“Os homens que atendemos são aqueles que cometeram violações iniciais, que estão em medidas protetivas, por exemplo. São 20 encontros com duração de duas horas cada. Percebemos que por volta do décimo encontro eles começam a enxergar que praticaram violência”, explica Flávio.
Sobre a cartilha
A cartilha “Papo de homem: Violência contra a mulher – Temos que dar um fim!” aborda as diferentes formas de violência de gênero, mostra os dados alarmantes sobre os casos de violações, além de fazer uma reflexão sobre o modelo de masculinidade que é historicamente ensinado - e deve ser desconstruído.
Faça o download da cartilha aqui