Notícia - Metalúrgicos de São José dos Campos reafirmam independência de classe e luta contra o capitalismo

O 14º Congresso dos Metalúrgicos promoveu, entre os dias 27 e 29, um amplo debate sobre o papel da organização da classe trabalhadora diante dos desafios impostos por governos e patrões, no Brasil e no mundo.

Com a aprovação das resoluções pelos delegados, o Congresso representou mais uma grande vitória para a categoria. As atividades aconteceram na Colônia de Férias do Sindicato, em Caraguatatuba. Foram mais de 100 delegados, de 23 fábricas, além de aposentados.

Entre as resoluções aprovadas, está a realização de lutas pelo fim da escala 6x1, uma forte campanha contra a pejotização, pela estabilidade no emprego e pela estatização de empresas que demitirem em massa.

As teses referentes à conjuntura nacional e internacional tiveram destaque. “A crise capitalista se aprofunda com a disputa imperialista entre China e Estados Unidos. Com isso, vemos o aumento da exploração, da miséria e da fome, levando à intensificação das crises econômica, social e ambiental”, consta em uma das considerações apresentadas na tese sobre conjuntura.

O presidente do Sindicato, Weller Gonçalves, ressaltou que não devemos criar ilusões no Congresso Nacional e no governo Lula, que já demonstraram não estar ao lado da classe trabalhadora.

“A ampla maioria do movimento sindical brasileiro, como CUT, CTB e Força Sindical, está atrelada ao governo Lula. Nosso Sindicato vai seguir no caminho da independência de classe, fazendo a disputa da consciência dos trabalhadores pelo fim do capitalismo e por uma sociedade socialista”, afirmou Weller.

A luta dos trabalhadores da Avibras, iniciada no período em que acontecia o 13º Congresso dos Metalúrgicos (em 2022), também ganhou destaque. Passados quatro anos, a categoria comemorou a conquista dos trabalhadores e a retomada das atividades da fábrica, mas seguirá na defesa da estatização da Avibras.

“O Congresso foi uma grande vitória. Mais de cem delegados participaram ativamente de todos os debates. A partir de agora, nossa categoria sai fortalecida, com os trabalhadores que estiveram aqui como delegados e que irão às fábricas aplicar as resoluções deliberadas. O Sindicato segue independente de patrões e governos, organizando a luta da classe trabalhadora”, concluiu Weller.

Mulheres

No primeiro dia do Congresso, uma atividade chamou a atenção de delegados e delegadas para os casos de feminicídio que se espalham pelo país. Os participantes foram convidados a fazer relatos pessoais ou apresentar medidas que deveriam ser tomadas para o combate a esse tipo de violência.

“A gente espera que essa atividade tenha mudado a consciência, porque somos classe trabalhadora. Afinal, o feminicídio e a violência contra as mulheres precisam ser combatidos pela nossa classe. Não é normal surgir uma notícia nova por dia, em cada jornal, em cada região do país. Não é normal a onda de ódio às mulheres e a violência brutal nas redes sociais. Não é normal que os meninos, desde pequenos, aprendam que tudo o que é feminino é ruim ou inferior. Também não é normal que as meninas tenham medo de sair de casa, de andar sozinhas ou de falar com homens”, disse Fatima Sousa, diretora do Sindicato e membro da Secretaria de Mulheres.

Grupos de trabalho e resoluções

No segundo dia de Congresso, os delegados reuniram-se em oito grupos e debateram as propostas de resoluções apresentadas. Foram colocadas em discussão 20 teses:

  • Conjuntura internacional;
  • Conjuntura nacional;
  • Reorganização do movimento sindical e a CSP-Conlutas;
  • Sindicalização;
  • Democracia operária;
  • Saúde e segurança dos trabalhadores;
  • Trabalho nas Cipas;
  • Formação;
  • Mulheres;
  • Questão racial;
  • Luta contra a LGBTfobia;
  • Cultura, esporte e lazer;
  • Meio ambiente;
  • Filiação à Federação Internacional dos Sindicatos da Indústria (IndustriALL);
  • Memória, verdade, justiça e reparação aos metalúrgicos perseguidos pela ditadura;
  • Aposentados e pensionistas;
  • In memoriam;
  • Montadoras e a luta de seus trabalhadores;
  • A Avibras e o setor de Defesa;
  • Comunicação sindical;
  • Combate à burocratização dos dirigentes sindicais.

Homenagem

No encerramento do Congresso, o Sindicato homenageou o diretor Anderson Elias Xavier, o Costelinha, falecido em 2025. Agora, o auditório da Colônia de Férias passa a levar seu nome.

O ex-diretor do Sindicato e ex-presidente da Admap Lauro Silva, falecido neste mês, também foi homenageado. Ele e Costelinha passam a compor a mesa de honra do 14º Congresso.

Moções

Os delegados também aprovaram as seguintes moções:

  • Pela libertação de Denys Matsolda e Vladislav Zhuravlev, combatentes ucranianos detidos em cativeiro russo sob condições desumanas há mais de três anos, para que sejam incluídos nas listas de troca de prisioneiros de guerra.
  • Solidariedade ativa à construção da chapa de oposição ao Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense.
  • Repúdio à demissão do trabalhador e dirigente sindical Cristian Denis da Cunha, ocorrida no dia 16 de março. A Bayer, em São José dos Campos, demitiu o dirigente sindical por defender os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores.
  • Apoio à ocupação Reflexo do Amanhã, que enfrenta processo de despejo em Volta Redonda (RJ).
  • Repúdio à conduta da empresa Retrovex, em Igaratá, que pratica contratação irregular de trabalhadores, sem registro em carteira, violando direitos básicos e expondo os funcionários a condições de extrema vulnerabilidade.
  • Solidariedade aos trabalhadores da JBS, liderados pelo sindicato UFCW, que estão em greve nos Estados Unidos em defesa de seus direitos e por melhores condições de trabalho.


Fonte:  Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos / Foto: Roosevelt Cássio - 31/03/2026

 

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