"Unificou, unificou! É estudante junto com o trabalhador". A palavra de ordem que ecoou na USP (Universidade de São Paulo), na noite da quarta-feira (15), marca a adesão dos estudantes à paralisação dos funcionários da Universidade, após assembleia realizada no Campus Butantã.
Agora mais de 100 cursos estarão de braços cruzados. A luta unificada, que ja conta com a adesão de outros campi da Universidade pode ser a maior da história da USP.
Acuado pela grande mobilização, a reitoria já marcou uma reunião de negociação para esta quinta-feira (16), a partir das 14h30. No mesmo horário haverá novamente um ato em frente ao prédio em que ocorrerá a reunião.
Entenda:
A greve dos trabalhadores da USP é uma resposta à intransigência da reitoria da Universidade - representada pelo reitor Aloísio Segurado - e suas medidas que ferem a isonomia salarial na instituição.
Apesar de alegar desde o início das negociações que precisa cortar gastos, a direção da USP aprovou um bônus de R$4.500,00 para docentes que cumprem regime de dedicação exclusiva.
Ao mesmo tempo, a instituição não atende às reivindicações dos funcionários pela recomposição das perdas salariais (o índice exigido pelos trabalhadores é de 14% de aumento para repor perdas desde 2012).
O movimento critica também o fato de que enquanto aprova privilégios para alguns professores, a reitoria dá as costas também para a necessidade dos estudantes no fortalecimento das políticas de permanência.
Os trabalhadores da USP voltaram a se reunir em assembleia na tarde desta quarta, no auditório Milton Santos e novamente a votação para a continuidade da greve foi unânime.
"O reitor da Universidade que estava se negando a receber o Sindicato, após a manifestação/passeata marcou negociação com o Sintusp para esta quinta feira às 16h" explica Magno de Carvalho, diretor do Sintusp.
"Já os estudantes, numa assembleia gigante, aprovaram a greve junto com os funcionários. Esta é uma das maiores greves da história da USP e será aida bem maior com a a entrada gos estudantes. A nossa greve começou com esta força devido a quebra da isonomia, acordada entre os reitores da USP Unesp e Unicamp, há mais de 10 anos", conclui.
Outros itens
Na pauta de reivindicações dos grevistas também consta a aprovação de um valor fixo de R$ 1.600,00 incorporado ao salário, que representa a divisão do montante destinado à gratificação aprovada para os docentes.
O abono das horas de ponte e de recesso!, o reajuste de bolsas e condições de estudo para os estudantes, a autonomia dos espaços estudantis, o direito ao BUSP (Onibus da USP) e contra a escala 6×1 para os terceirizados também estão na lista.
Estudantes exigem
A comunidade discente da USP, por sua vez, está na luta pelo fortalecimento das políticas que garantem a permanência do estudante na universidade, entre estas destaque para o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil no valor de R$1 mil.
Há também a exigência de melhor atendimento nos restaurantes universitários (bandeijões), melhoria nas moradias do CRUSP e fim da retaliação da reitoria aos espaços estudantis.
Além disso, os estudantes também se mobilizam contra uma minuta que, se aprovada, proíbe que as entidades estudantis arrecadem dinheiro com aluguéis de espaços para gráficas e lanchonetes.
Todo apoio
A CSP-Conlutas reafirma todo apoio aos trabalhadores/as e estudantes da USP. Unificar e mobilizar. Esse é o caminho que pode levar à conquista das reivindicações, não apenas em São Paulo, mas em todo o país.