Notícia - Embraer bate recorde e expõe erro da tentativa de venda para a Boeing

A Embraer fechou o primeiro trimestre do ano com um faturamento de R$ 7,6 bilhões e uma carteira de pedidos firmes de US$ 32,1 bilhões. Os números retratam um cenário que chama a atenção: são os melhores resultados para o período desde a fundação da Embraer, há 58 anos. Mais do que isso, revelam o quanto a quase venda da empresa brasileira para a estadunidense Boeing, em 2020, teria sido um grande erro para o país.

Aqui, cabe recuperar um pouco da história das negociações entre as duas empresas. O plano da Boeing de adquirir a Embraer foi anunciado em 2017 e teve o aval do então presidente Michel Temer e, depois, de Jair Bolsonaro, com o falso argumento de que, sem a estadunidense, a brasileira corria o risco de fechar as portas. 

Já especialistas argumentavam que a operação seria um crime de lesa-pátria. O Brasil deixaria de pertencer a um seleto grupo de países com domínio de todas as etapas da construção de aviões – conhecimento que vem se acumulando desde 1969, ano de fundação da Embraer. O Sindicato chegou a ajuizar uma ação civil pública contra a venda.

O interesse da Boeing centrava-se na divisão de aviação comercial da Embraer, e as empresas chegaram a assinar um acordo, em 2018, para a criação de uma joint venture (avaliada em US$ 5,26 bilhões). A Boeing ficaria com 80% do novo negócio. A Embraer abriria mão de seu setor mais rentável – a produção de aviões comerciais, responsável por 58% dos lucros da empresa em 2017. O valor da venda era de US$ 4,2 bilhões, portanto muito abaixo da atual carteira de pedidos da Embraer.

A venda só não se concretizou porque a Boeing desistiu e deixou um prejuízo de quase R$ 3 bilhões para a Embraer e 2.500 demissões na fábrica brasileira.

A Embraer é nossa

Desde o início das negociações, o Sindicato se posicionou e realizou a campanha “A Embraer é nossa”, de alcance nacional, contra a venda. A exigência dos metalúrgicos era de que o governo vetasse a transação e reestatizasse a Embraer.

A concretização das negociações dependia da palavra do governo, que detém ações de classe especial (golden share) da Embraer em questões como venda, programas militares e acesso à tecnologia. O governo federal poderia, portanto, impedir que o Brasil perdesse uma de suas mais importantes empresas, mas se negou a fazê-lo.

Pela reestatização

Passados nove anos desde o início da transação, o Sindicato permanece na defesa da reestatização da Embraer, assim como luta pela estatização da Avibras – duas empresas essenciais para a soberania do Brasil.

A Avibras também quase foi entregue ao capital estrangeiro. Durante o governo Lula, o Ministério da Defesa autorizou as negociações com empresas da Austrália, China e Arábia Saudita. Por anos, o Sindicato reivindicou que o governo investisse na Avibras e salvasse a empresa e os trabalhadores. Nada foi feito.

Esses episódios confirmam que o governo brasileiro, independentemente do partido do presidente, não tem pudores em colocar a soberania do país em risco e entregar empresas estratégicas ao imperialismo.

“O que aconteceu com a Embraer e a Avibras reforça o que o Sindicato sempre defendeu: é preciso estatizar toda empresa estratégica. Não podemos colocar nossa soberania nas mãos do capital privado”, afirma o diretor do Sindicato Herbert Claros.

Trabalhadores desrespeitados

Como ainda permanece sendo uma empresa privada, a Embraer tem também histórico de desrespeito aos trabalhadores. Desde 2017, a empresa se recusa a assinar convenção coletiva, simplesmente por priorizar os interesses dos acionistas e se recusar a garantir estabilidade no emprego para funcionários que se lesionaram na fábrica. O Sindicato exige do governo Lula o bloqueio de envio de dinheiro público para empresas que não assinam convenção coletiva com sindicatos, como é o caso da Embraer.


Fonte:  Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos / Foto: Roosevelt Cássio - 19/05/2026

 

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