Os Metalúrgicos do ABC realizaram na última sexta-feira (15) o Encontro de Gerações em celebração aos 67 anos do Sindicato, comemorados no último dia 12. A atividade aconteceu na Sede, em São Bernardo, reunindo trabalhadores e trabalhadoras de diferentes épocas em um momento marcado pela memória das lutas históricas da categoria e pelo debate sobre os desafios atuais da classe trabalhadora.
Ao abrir o encontro, o presidente do Sindicato, Moisés Selerges, destacou que a trajetória da entidade vai além das pautas salariais e está ligada à defesa da democracia, da cidadania e de um projeto coletivo para os trabalhadores. Segundo ele, ao longo das décadas, a atuação sindical esteve voltada tanto às reivindicações dentro das fábricas quanto às disputas sociais e políticas do país.
“Somos quem constrói a riqueza deste país e queremos ter acesso a ela. Não queremos dividir a pobreza. Queremos dividir a riqueza que produzimos”, afirmou.
Durante a fala, Moisés reforçou bandeiras históricas da categoria, como o fim da escala 6×1 e a redução da jornada sem redução de salário, além de homenagear dirigentes e militantes que participaram da construção da entidade desde sua fundação, em 1959.
Integração
Presidente eleito do Sindicato, Wellington Damasceno afirmou que o Encontro de Gerações simbolizou uma nova forma de ampliar o diálogo com a base. “A ideia foi abrir espaço para que trabalhadores e trabalhadoras de diferentes trajetórias pudessem compartilhar experiências e fortalecer ainda mais nossa organização”, destacou.
Segundo o dirigente, os metalúrgicos de hoje reúnem trabalhadores da ativa, aposentados e companheiros de empresas que já encerraram as atividades. “O grande desafio do Sindicato é acompanhar as transformações do mundo do trabalho sem perder o vínculo histórico com a categoria”, afirmou.
O dirigente também defendeu maior participação das mulheres nos espaços de direção, políticas voltadas aos desempregados e trabalhadores precarizados, além da necessidade de manter a entidade próxima da base e das famílias metalúrgicas.
Trajetória
Representando a AMAA-ABC (Associação dos Metalúrgicos Anistiados e Anistiandos do ABC), Lenice Bezerra, a Nice, relembrou sua trajetória iniciada nas greves de 1979, quando trabalhava na Polimatic, em Diadema. Ex-diretora do Sindicato entre 1987 e 1993, ela falou sobre a participação feminina nas mobilizações históricas da categoria e destacou a emoção de retornar à entidade sendo reconhecida por sua militância.
Nice recordou ainda episódios marcantes das greves do ABC, como os confrontos durante a repressão policial nos anos 1980, e alertou para a importância de manter a organização política diante das ameaças de retirada de direitos. Segundo ela, “a classe trabalhadora precisa seguir mobilizada para impedir retrocessos e fortalecer o atual projeto político representado pelo presidente Lula”.
O encontro foi encerrado com show do cantor e compositor Zé Geraldo, historicamente ligado às mobilizações dos Metalúrgicos do ABC.