Notícia - Jornada mundial amplia pressão sobre TKE após venda para finlandesa KONE

Trabalhadoras e trabalhadores da TK Elevator realizaram na última sexta (22) uma Jornada Mundial de Ação em diversos países para denunciar ataques a direitos, pressionar a direção da empresa e cobrar respeito à organização sindical. A mobilização ganhou ainda mais força após o anúncio da venda da companhia para a fabricante finlandesa KONE, negócio avaliado em 29,4 bilhões de euros.

A jornada reuniu sindicatos e representantes internacionais da categoria em atos, assembleias e manifestações organizadas simultaneamente nas plantas da empresa. As entidades denunciam pressão por metas, aumento do ritmo de produção, insegurança sobre empregos e problemas relacionados à saúde e segurança no trabalho. O objetivo foi dar visibilidade às pautas da categoria e cobrar abertura de negociações efetivas.

Venda contestada
Em abril de 2026, a KONE anunciou a compra da TKE, antiga Thyssenkrupp Elevadores, criando a maior fabricante mundial de elevadores, com receita estimada em 20,5 bilhões de euros e cerca de 100 mil funcionários em todo o mundo. O negócio ainda depende da aprovação de órgãos antitruste internacionais, prevista para 2027.

A unidade da TKE em Guaíba (RS) é a única no Brasil. Com cerca de 5 mil funcionários, é responsável por abastecer toda a rede na América Latina. No mundo todo, a empresa tem um total de 12 plantas industriais distribuídas por países como Alemanha, China e Estados Unidos, totalizando mais de 50mil trabalhadoras e trabalhadores que estão com seus empregos ameaçados.

Segundo Maicon Michel, secretário de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), a condução do processo gerou indignação entre representantes sindicais internacionais e trabalhadores da empresa.

“Nós, da CNM/CUT, fazemos parte do Conselho de Ética Mundial da TKE por meio da Industrial Global Union. A empresa ignorou completamente o processo de informação e diálogo com a representação mundial das trabalhadoras e trabalhadores. Todos ficaram sabendo da venda apenas quando a imprensa divulgou o negócio”, afirmou.

Maicon declarou ainda que é inadmissível a postura da TKE. “Não apenas pelo descumprimento de acordos firmados ao longo dos anos, mas também pelo desrespeito à própria política de cogestão e representação sindical. As trabalhadoras e trabalhadores da TKE no mundo inteiro precisam demonstrar que não vão aceitar calados esses ataques à representação legítima da categoria”, destacou.

Clima de apreensão
A campanha salarial das trabalhadoras e dos trabalhadores metalúrgicos de Porto Alegre e região chegou à planta da TKE em Guaíba. A atividade também debateu a Jornada Mundial de Ação e os impactos da venda da empresa para a KONE. Entre as trabalhadoras e trabalhadores, o clima é de insegurança diante das demissões registradas recentemente na unidade gaúcha.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre (STIMEPA), Adriano Filippetto, afirmou que a preocupação com empregos e benefícios dominou a assembleia realizada. “Conversamos sobre a preocupação que existe em relação ao futuro dos postos de trabalho e dos benefícios. A KONE é uma empresa nova para nós e ainda não sabemos como será a atuação dela aqui em Guaíba”, disse.

“As trabalhadoras e os trabalhadores participaram bastante da assembleia. Aproveitamos a atividade para discutir a Jornada Mundial de Ação e pautas da campanha salarial, como a luta contra a escala 6x1. Foi uma assembleia muito positiva e de muita atenção da categoria”, ressaltou Adriano.

Demissões preocupam
Dirigentes sindicais afirmam que as demissões continuam acontecendo mesmo após o anúncio da venda da empresa. Para o diretor do STIMEPA, Andrio Silva, a falta de informações oficiais aumenta ainda mais a apreensão na planta gaúcha do município de Guaíba.

“Não temos nenhuma informação sobre a empresa que comprou a TKE. Ainda está tudo muito obscuro para nós. As trabalhadoras e trabalhadores estão preocupados sobre como será conduzido esse processo de venda, porque ninguém sabe exatamente o que vai acontecer. Além disso, as demissões continuam acontecendo”, denunciou Andrio.

A diretora do sindicato, Jaqueline Oliveira, relatou que o ambiente na fábrica ficou ainda mais pesado nas últimas semanas. “Todas as semanas acontecem demissões e ninguém apresenta uma justificativa clara sobre os desligamentos. Isso faz com que o clima dentro da fábrica fique cada vez mais pesado. As trabalhadoras e os trabalhadores estão apreensivos e com muito medo”, declarou.

O secretário-geral do sindicato, Diego Pereira, afirmou que a categoria também enfrenta dificuldades nas negociações salariais deste ano. “Historicamente, sempre que ocorre campanha salarial também acontecem demissões. Isso faz parte de uma estratégia utilizada pelos patrões para tentar enfraquecer a negociação coletiva. Precisamos da mobilização para garantir um reajuste justo para todos”, encerrou Diego.


Fonte:  CNM/CUT - Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão / Foto: STIMEPA - 28/05/2026

 

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