Notícia - Sindicalistas discutem proteção aos trabalhadores diante da crise climática

O segundo momento do “Seminário Pós-COP30 e a Situação dos Trabalhadores”, promovido pela CUT-SP e pelo Sindsep-SP nesta sexta-feira (12), aprofundou o debate sobre os impactos das mudanças climáticas no mundo do trabalho e os desafios colocados para a organização sindical no período pós-COP30. A atividade contou com a participação de Renata Belzunces, técnica do DIEESE que atua na articulação entre as pautas ambientais e o mundo do trabalho.

Durante a roda de conversa com dirigentes sindicais e trabalhadores de diversas categorias, Renata destacou que o enfrentamento da crise climática não pode se limitar a soluções tecnológicas ou à simples substituição de fontes energéticas, sem questionar o atual modelo econômico e produtivo.

Segundo ela, há uma visão predominante que aposta exclusivamente na tecnologia como solução para os problemas ambientais, preservando a lógica econômica responsável pela exploração dos recursos naturais e pelo aprofundamento das desigualdades sociais.

“Não vamos mudar as estruturas econômicas, não vamos mudar a maneira de produzir produtos, não vamos mudar a maneira de produzir fome. A lógica é acreditar que a tecnologia vai nos salvar e que bastará substituir recursos para garantir um ambiente melhor para todos”, afirmou.

Renata também ressaltou que determinados bens ambientais, sociais e culturais não podem ser tratados como mercadorias substituíveis. Como exemplo, citou os territórios indígenas, que carregam dimensões históricas, culturais e ancestrais impossíveis de serem compensadas por outros espaços ou recursos.

“Eu não tenho como substituir um território indígena por outro. As pessoas estão ligadas àquela terra por questões ancestrais. Não é possível simplesmente oferecer outro lugar e dizer que está resolvido”, destacou.

Para a técnica do DIEESE, a construção de uma transição ecológica justa exige reconhecer os limites impostos pela natureza e colocar a vida, os povos e os trabalhadores no centro das decisões políticas e econômicas.

Após o debate, os participantes foram divididos em quatro grupos de trabalho para elaborar propostas concretas que possam ser incorporadas às convenções e acordos coletivos das categorias. A atividade reuniu representantes de diversos ramos de atuação, que compartilharam experiências e construíram sugestões voltadas à proteção dos trabalhadores diante dos efeitos cada vez mais intensos da emergência climática.

Entre as propostas apresentadas estão a criação de fundos de apoio e requalificação profissional para trabalhadores afetados por eventos climáticos extremos e pelas transformações produtivas decorrentes da transição ecológica. Também foram defendidas medidas de proteção à saúde dos trabalhadores expostos ao calor extremo e a condições ambientais adversas, como o fornecimento de protetor solar, repelentes e outros equipamentos para quem atua em atividades externas.

As discussões reforçaram a necessidade de que o movimento sindical assuma papel protagonista na luta por justiça climática, articulando a defesa do meio ambiente com a garantia de direitos, emprego digno e proteção social. Para os participantes, enfrentar a crise climática passa necessariamente por fortalecer a organização da classe trabalhadora e construir respostas coletivas que coloquem a vida acima do lucro.

 

 

 


Fonte:  Rafael Silva - CUT São Paulo / Foto: Rafael Silva/CUT-SP - 15/06/2026

 

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