Notícia - Centrais defendem desenvolvimento e criticam Selic elevada

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual provocou reação das principais centrais sindicais brasileiras nesta quarta-feira.

As entidades consideram que a medida ficou abaixo das necessidades da economia nacional. Além disso, avaliam que os juros continuam limitando investimentos, consumo e geração de empregos.

Segundo as centrais, o cenário atual apresenta inflação controlada e condições favoráveis para uma redução mais significativa da taxa básica de juros. Entretanto, prevaleceu uma postura considerada excessivamente cautelosa.

Os dirigentes sindicais também argumentam que o elevado custo do crédito dificulta a expansão das atividades produtivas. Consequentemente, empresas, trabalhadores e consumidores enfrentam maiores obstáculos econômicos.

Ainda de acordo com as entidades, a manutenção de juros elevados beneficia a especulação financeira, enquanto reduz a capacidade de crescimento da indústria nacional e da economia.

Diante desse cenário, CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB e NCST divulgaram uma nota conjunta defendendo uma política econômica voltada ao desenvolvimento, ao emprego e à distribuição de renda.

A seguir, a íntegra da nota assinada pelos presidentes das centrais sindicais:

Juros continuam sufocando a produção e o emprego

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual está muito aquém das necessidades da economia brasileira e das demandas da classe trabalhadora.

O Banco Central segue adotando uma política monetária excessivamente conservadora, que restringe investimentos, compromete a expansão da atividade econômica e dificulta a geração de empregos de qualidade.

Além disso, a redução anunciada produz impacto praticamente insignificante sobre o custo do crédito, que continua elevado para empresas, produtores e consumidores.

O Brasil apresenta inflação sob controle e reúne condições para uma redução mais significativa dos juros. Não há justificativa econômica para uma postura tão cautelosa, que mantém o país preso a um ciclo de baixo crescimento.

Enquanto o setor produtivo enfrenta dificuldades para investir e ampliar suas atividades, a manutenção de juros elevados continua beneficiando o rentismo e a especulação financeira, em detrimento da produção e do trabalho.

Com isso, o país perde oportunidades de acelerar o crescimento econômico, fortalecer a indústria nacional, estimular o consumo e ampliar a renda das famílias brasileiras.

A persistência de taxas de juros em patamares tão elevados também pressiona as contas públicas, aumentando os gastos com a dívida e reduzindo a capacidade do Estado de investir em áreas estratégicas e em políticas sociais.

As centrais sindicais continuarão defendendo uma redução mais consistente da Selic, compatível com os desafios do desenvolvimento nacional, da valorização do trabalho e da geração de emprego e renda.

O Brasil precisa de uma política econômica voltada ao crescimento sustentável, à reindustrialização, à valorização do trabalho e à distribuição de renda, e não de uma política que prolongue a estagnação e limite as perspectivas de desenvolvimento do país.

São Paulo, 17 de junho de 2026

Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores)

Miguel Torres, presidente da Força Sindical

Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores)

Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

Antonio Neto, presidente da CSB(Central dos Sindicatos Brasileiros)

Sonia Zerino, presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores)


Fonte:  Rádio Peão Brasil - 18/06/2026

 

O Mundo Sindical e os cookies: nós usamos os cookies para guardar estatísticas de visitas, melhorando sua experiência de navegação.
Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.