A luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários ganha ainda mais força com os números apresentados em estudo elaborado pelo DIEESE para a FEM-CUT/SP. Os dados mostram que a diminuição da jornada para 40 horas semanais tem potencial para gerar 16.510 novos empregos metalúrgicos apenas na base da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT de São Paulo, o equivalente a um crescimento de 8,7% no nível de emprego da categoria.
O levantamento, baseado na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2025, revela que dos 228.361 trabalhadores e trabalhadoras da base da FEM-CUT/SP, 174.142 — ou 76,3% — cumprem jornadas de 41 horas semanais ou mais. A redistribuição dessas horas de trabalho permitiria a abertura de milhares de novos postos de trabalho, fortalecendo a economia e ampliando as oportunidades para a classe trabalhadora.
Entre os sindicatos filiados à FEM-CUT/SP, os maiores impactos seriam registrados no ABC, com potencial de criação de 4.249 vagas; Sorocaba, com 3.413 novos empregos; Itu, com 1.749; São Carlos, com 1.163; e Cajamar, com 896 novos postos de trabalho.
No cenário nacional, a redução da jornada no setor metalúrgico poderia resultar na criação de aproximadamente 208,7 mil empregos.
Para o presidente da FEM-CUT/SP, Erick Silva, os números desmontam o discurso de que a redução da jornada prejudicaria a economia.
“Os dados comprovam aquilo que o movimento sindical defende há anos: reduzir a jornada sem reduzir salários significa gerar empregos, distribuir renda e melhorar a qualidade de vida da população. Enquanto milhões de trabalhadores enfrentam jornadas exaustivas, há milhares de pessoas buscando uma oportunidade no mercado de trabalho. A redução da jornada é uma medida moderna, justa e necessária para o desenvolvimento do país”, afirma.
Erick também criticou a demora na tramitação da proposta que trata do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho.
“A sociedade já deu seu recado. A proposta avançou na Câmara dos Deputados e tem amplo apoio popular. O que falta agora é vontade política para que ela avance no Senado. Não podemos aceitar que uma pauta tão importante para a classe trabalhadora continue sendo travada enquanto milhões de brasileiros seguem sacrificando a saúde, a convivência familiar e o lazer para cumprir jornadas cada vez mais desgastantes”, destaca.
A secretária da Mulher Trabalhadora da FEM-CUT/SP, Ceres Lucena, ressalta que a redução da jornada representa também um avanço na luta pela igualdade de gênero.
“As mulheres são as mais impactadas pelas jornadas excessivas porque, além do trabalho nas fábricas, continuam assumindo a maior parte das tarefas domésticas e dos cuidados com filhos e familiares. Reduzir a jornada é garantir mais tempo para viver, estudar, cuidar da saúde e estar com a família. É uma pauta de justiça social e também de valorização das mulheres trabalhadoras”, afirma.
A defesa da redução da jornada e do fim da escala 6×1 integra a Campanha Salarial 2026 dos metalúrgicos da FEM-CUT/SP e tem mobilizado trabalhadores em todo o estado. Para a Federação, os números apresentados pelo DIEESE reforçam que a medida beneficia não apenas os trabalhadores, mas toda a sociedade, ao estimular a geração de empregos, aumentar a circulação de renda e impulsionar a economia local.
Diante da paralisação do debate no Senado, a FEM-CUT/SP intensifica a mobilização para pressionar os parlamentares e exigir que a proposta avance. A entidade defende que o país acompanhe exemplos internacionais que já adotaram jornadas menores, com ganhos de produtividade, geração de empregos e melhoria da qualidade de vida da população.