O Brasil tem a oportunidade de liderar a mobilidade sustentável, desde que saiba integrar rotas tecnológicas, fortalecer a indústria nacional e garantir segurança jurídica aos investimentos. A conclusão deu o tom do painel “Eletrificação & Transformação do Mercado Automotivo Brasileiro”, no Rio Innovation Week 2026, um dos maiores eventos de inovação e tecnologia da América Latina.
O debate contou com o presidente dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Damasceno, acompanhado por Ricardo Bastos (ABVE) e Igor Calvet (Anfavea). Ao abordar a transição, Wellington defendeu a soberania industrial: “É importante trazer a nossa visão na defesa do conteúdo local e da transformação da nossa indústria, com a valorização da produção nacional”, afirmou.
Os debatedores concordaram que não há solução única para a frota do país. O caminho envolve a complementaridade entre elétricos, híbridos e biocombustíveis — aproveitando o diferencial competitivo do etanol. Para Wellington, esse processo deve vir acompanhado de preparo técnico. “Defendemos políticas de qualificação e requalificação profissional, a aproximação com as universidades e o desenvolvimento das potencialidades brasileiras. Tudo isso, alinhado às políticas públicas, vai garantir a manutenção do emprego e da renda do nosso povo trabalhador”.
A localização da produção de veículos e componentes também se destacou como prioridade para manter empregos qualificados no país. Ao avaliar a presença do setor no evento, o líder sindical enfatizou o papel da classe trabalhadora nos rumos da tecnologia. “Trazer a visão do Sindicato para este espaço é fundamental, pois este fórum reúne empresas para discutir o futuro. Não podemos ficar de fora. Precisamos atrelar o desenvolvimento tecnológico ao social, gerar emprego e renda e garantir uma vida melhor para a classe trabalhadora do país”.
O painel reforçou que o sucesso da nova mobilidade depende da atuação integrada entre governo, indústria e trabalhadores.