Há mais de uma semana, trabalhadores dos Correios e da CEF (Caixa Econômica Federal) estão de braços cruzados e nas ruas. Após anos de ataques a direitos, bancários e ecetistas perderam a paciência com o governo federal e com as direções das empresas. As duas greves têm o mesmo adversário e podem ser as mais importantes do país neste momento.
Na CEF, a greve já é considerada uma das maiores da história da categoria, com mais de 3,6 mil agências fechadas em todo o país. É também a primeira greve dos bancários da empresa em dez anos. Está radicalizada, com adesão até de gerentes, que vêm sofrendo assédio e ameaças por parte da direção do banco.
O estopim foi o ataque ao Saúde Caixa. O banco reajustou em mais de 28% o valor cobrado dos trabalhadores e vem reduzindo cada vez mais sua coparticipação. Esse é um ensaio que levará, fatalmente, à saída da Caixa do custeio do plano de saúde. Tudo isso, em meio, a diversos outros ataques, com uma situação cada vez mais insuportável de superexploração, assédio e achatamento de salários e direitos.
Nos Correios, a situação é parecida. A categoria sofre há muito tempo com o desmonte da empresa, promovido por sucessivos governos. Nesta Campanha Salarial, os trabalhadores denunciam o plano da estatal de economizar até R$ 1,4 bilhão com o plano de saúde, o que, na prática, pode significar o fim do benefício.
Ao mesmo tempo, o fechamento de agências e centros de distribuição mostra que a reestruturação avança, prejudicando trabalhadores e população, que perdem um serviço público essencial.
O mesmo governo, a mesma política
Caixa e Correios são empresas públicas, e quem define suas políticas é o governo federal. Os cortes no plano de saúde, o fechamento de unidades e a precarização do trabalho são expressões de uma mesma lógica de austeridade, que faz a classe trabalhadora pagar a conta enquanto se preservam os interesses do mercado e do Arcabouço Fiscal. A responsabilidade é do governo Lula e das direções que ele nomeia.
Mas, além de enfrentar a intransigência do governo e das empresas, as duas categorias enfrentam ainda a operação de desmonte das greves promovida por direções sindicais governistas. Para essas burocracias, o calendário eleitoral vale mais que os direitos da categoria.
Trabalham para esvaziar os movimentos, mesmo que a greve termine sem vitórias, para supostamente “não atrapalhar” o governo em ano eleitoral. Fazendo exatamente o contrário ao aumentar a insatisfação e desilusão dos trabalhadores e abrir espaço para a extrema direita.
Momento decisivo: unificar para fortalecer!
A próxima segunda-feira (21) será decisiva. O TST (Tribunal Superior do Trabalho) julgará a greve nos Correios e é preciso estar alertas. É com a ajuda do Judiciário, que a patronal consegue nestes momentos criminalizar quem luta e rebaixar direitos. Na CEF, as direções governistas tentam encerrar a mobilização antes que ela aumente seu potencial.
Vale lembrar que a luta acontece em meio à crise do STF (Supremo Tribunal Federal), que está afundado no escândalo do Banco Master, e já tomou diversas decisões contrárias aos trabalhadores. Não é coincidência, inclusive, que o STF começou a julgar, nesta sexta-feira (18), outro processo envolvendo a categoria.
Refere-se ao processo que trata do chamado Vale Peru (Ticket extra no Natal), o adicional de 200% para os trabalhadores que fizerem hora extra em dias de repouso, a gratificação das férias em 70% e a manutenção das atuais regras do plano de saúde. Apesar de conquistas na greve de 2025, estes direitos foram suspensos por decisão do ministro Alexandre de Moraes, que atendeu solicitação dos Correios. Agora, em julgamento virtual, a Corte vai decidir se mantém o corte dos direitos ou não. Moraes, que é o relator, já votou contra o recurso feito pelos sindicatos.
O fato é que não se pode confiar em instituições que protegem os poderosos e cobram dos trabalhadores o preço da crise.
A força da categoria está em sua organização e na paralisação, não nos gabinetes. Nos dois casos, os trabalhadores têm mostrado grande disposição de luta e não aceitam que a greve seja liquidada na mesa de negociação ou nos tribunais.
Por tudo isso, as greves de bancários e ecetistas precisam ser unificadas. Em muitos locais do país, isso já acontece de forma espontânea. Nos atos em São Paulo e em Natal, onde a CSP-Conlutas tem forte presença, a unidade foi a tônica da semana. Trabalhadores de ambas as categorias se reconhecem na mesma luta.
A unificação amplia a força das mobilizações e a pressão sobre o governo; dificulta a política de isolar cada categoria e negociar migalhas com uma de cada vez. Também enfraquece as manobras burocráticas, porque a base unida e mobilizada tem mais condições de controlar sua própria luta.
A CSP-Conlutas é a única central que trabalha para unificar as mobilizações. Nosso empenho é que as greves ocorram juntas e que pressionem o governo Lula e as direções das empresas a retomarem as negociações, com atendimento às reivindicações.
Bancários e ecetistas estão dando um exemplo de disposição e coragem. Nossa tarefa é fortalecer essa luta e ampliá-la.
Todo apoio às greves dos bancários e ecetistas!
A saída para a classe trabalhadora é a luta, com independência de patrões e governos!