O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, conversou com trabalhadores da Delga Anchieta, na zona sudeste paulistana, sobre pautas prioritárias para a classe trabalhadora.
Durante o bate-papo, Miguel destacou a luta pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6×1, atualmente debatidas no Congresso Nacional.
Segundo o dirigente, os avanços tecnológicos elevaram a produtividade, reduziram postos de trabalho e criaram condições para diminuir o tempo trabalhado sem prejudicar a atividade econômica.
“A redução da jornada e o fim da escala são uma questão de justiça social que estamos trabalhando”, afirmou Miguel aos trabalhadores durante o encontro.
Além disso, Miguel chamou atenção para trabalhadores submetidos às jornadas de segunda-feira a sábado, especialmente diante dos problemas cotidianos envolvendo trânsito, deslocamentos e mobilidade urbana.
O sindicalista ressaltou ainda a situação das mulheres, que frequentemente acumulam o emprego remunerado com outras jornadas relacionadas aos cuidados domésticos e responsabilidades familiares cotidianamente.
Miguel relembra luta histórica pela redução da jornada
Durante a conversa, Miguel relembrou que, antes da Constituição Federal de 1988, a legislação brasileira estabelecia jornada semanal de trabalho de até 48 horas.
Ele recordou também as mobilizações iniciadas pelos metalúrgicos paulistas em 1983, quando sindicatos organizaram assembleias nas fábricas, negociações coletivas e greves pela redução da jornada semanal.
“Em 85, nós conseguimos, dentro da convenção coletiva, estender para todos os metalúrgicos de São Paulo a redução para 44 horas”, lembrou Miguel.
Posteriormente, a Constituição de 1988 estabeleceu o limite de 44 horas semanais, consolidando nacionalmente uma reivindicação construída pelos trabalhadores durante anos de mobilização sindical organizada.
“Então foi muita luta. Greves, greves, greves. E, em 88, isso se consolidou dentro da Constituição, atingindo todos os trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou.
Miguel ressaltou que o Brasil não promove uma redução constitucional da jornada semanal desde 1988, apesar das profundas transformações tecnológicas ocorridas no sistema produtivo desde então.
Mobilização no Congresso Nacional
Ao abordar a tramitação das propostas, Miguel afirmou que manifestações realizadas em São Paulo e outras regiões contribuíram para ampliar o debate sobre redução da jornada.
Segundo o dirigente, a mobilização sindical também ajudou a levar o tema à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, onde a proposta avançou posteriormente.
“Aprovamos lá também e agora está na mão do presidente do Senado”, disse Miguel, ao defender continuidade da mobilização para garantir novos avanços legislativos.
Por fim, Miguel afirmou que os trabalhadores precisam acompanhar o posicionamento dos parlamentares e manter a mobilização para que a pauta continue avançando dentro do Congresso Nacional.
“Se a gente não se manifestar, eles vão sentar em cima e não vão fazer”, declarou o presidente da Força Sindical durante o bate-papo.