Uma das mais longas greves já realizadas no país será contada em livro. A publicação já está em processo de produção e vai relatar a história da Avibras e a luta recente de seus trabalhadores. O livro, que ainda não tem título, é uma parceria entre o Ilaese (Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconômicos) e o Sindicato, com lançamento previsto para fevereiro de 2027, pela Editora Sundermann.
O leitor encontrará informações desde a fundação da Avibras, em 1961, até os dias atuais. Porém, o coração do livro será a luta dos trabalhadores diante da crise iniciada em 2022 e a grande greve, que durou 1.280 dias. A obra vai mostrar o que significou para esses metalúrgicos enfrentar anos de incerteza, salários atrasados, dificuldades financeiras e ameaças aos empregos.
A coordenadora do projeto e pesquisadora do Ilaese, Ana Paula Santana, quer ir além dos dados publicados em jornais, relatórios financeiros e atas de reuniões. O propósito é contar os fatos sob o ponto de vista dos trabalhadores.
“Queremos compreender como tudo isso foi vivido por quem estava dentro da fábrica e precisou enfrentar as consequências da crise em sua vida cotidiana. O que significou continuar lutando mesmo diante de tantas dificuldades? Como os trabalhadores se organizaram? O que os fez permanecer unidos? Como a experiência da greve transformou a maneira como enxergam a empresa, o Sindicato, o trabalho e a própria vida?”, disse Ana Paula.
Para contar a história da greve, a pesquisadora entrevistou lideranças do Sindicato que estiveram à frente da organização da luta e trabalhadores que vivenciaram diretamente essa mobilização.
Cenário econômico
O livro vai abordar ainda questões políticas e econômicas que ultrapassam os limites da Avibras, como a desindustrialização do Brasil, a crescente dependência tecnológica do país e a perda da capacidade produtiva nacional. A publicação também coloca em discussão um tema que esteve presente na luta dos trabalhadores: a defesa da estatização da fábrica sob controle operário.
“Queremos recuperar essa história porque, quando uma empresa como a Avibras entra em crise, não estamos falando apenas de números, dívidas ou dificuldades financeiras. Estamos falando também do risco de perder um patrimônio tecnológico e industrial construído durante gerações, com a participação decisiva dos trabalhadores”, conclui a pesquisadora.