Notícia - Mulheres são fontes em menos de um quarto das notícias no Brasil, revela GMMP 2025

A participação das mulheres nas notícias do Brasil continua desigual e, em vez de avançar, apresentou queda no último monitoramento internacional sobre gênero e mídia. Dados do Global Media Monitoring Project (GMMP) Brasil 2025 mostram que apenas 19% dos sujeitos das reportagens são mulheres, enquanto 81% são homens.

Os resultados serão apresentados e debatidos em um evento online nos dias 30 e 31 de março, que reunirá pesquisadoras(es), profissionais da comunicação, representantes de entidades, coletivos e instituições comprometidas com a promoção da igualdade de gênero e o fortalecimento das políticas públicas no país.

O GMMP é a maior pesquisa longitudinal do mundo dedicada a monitorar a representação de gênero na mídia jornalística. Realizado a cada cinco anos desde 1995 em mais de 100 países, o projeto analisa como mulheres e homens aparecem — ou deixam de aparecer — nas notícias.

No Brasil, a edição de 2025 examinou 683 notícias de 38 veículos jornalísticos, incluindo 10 jornais impressos, 12 sites, oito emissoras de rádio e oito de televisão. O levantamento oferece um panorama atualizado sobre as desigualdades de gênero na mídia mainstream brasileira.

De acordo com o monitoramento, a presença feminina diminuiu em todas as funções analisadas nas notícias. Na categoria de sujeito da reportagem — quando a pessoa é central para o fato narrado, seja por ações, declarações ou decisões — as mulheres aparecem em apenas 19% dos casos.

O evento de divulgação dos resultados busca ampliar o debate sobre representação, diversidade e igualdade de gênero no jornalismo, além de estimular reflexões sobre os desafios da cobertura midiática no país.

A atividade é aberta ao público e voltada a estudantes, pesquisadoras(es), jornalistas, organizações da sociedade civil e todas as pessoas interessadas na relação entre mídia, democracia e igualdade de gênero. A programação será transmitida através do Canal @DiversidadenaECA, no Youtube.

PROGRAMAÇÃO

30 de março
9h30 – Mesa 1 – Resultados GMMP Brasil 2025
A mesa abre o evento com a apresentação dos dados nacionais, destacando como as mulheres são representadas nas notícias e quais são os padrões de desigualdade que persistem. Além da coordenação nacional, participam também representantes de entidades e coletivos que atuam na defesa das políticas de igualdade, ampliando o diálogo entre pesquisa e sociedade civil.

14h30 – Mesa 2 – Comunicação e políticas públicas
Aborda a necessidade de políticas públicas que ampliem a presença das mulheres na vida pública e, consequentemente, nas notícias. Os dados do GMMP evidenciam que mulheres aparecem majoritariamente como vítimas de violência — especialmente violência de gênero — e que a cobertura midiática ainda é incipiente e marcada por estereótipos. A mesa discutirá caminhos para políticas efetivas de equidade de gênero e enfrentamento das violências de gênero e étnico-raciais.

31 de março
9h30 – Mesa 3 – Ensino e pesquisa em jornalismo, atravessamentos e representatividade de gênero
A partir do pensamento feminista e dos resultados do GMMP, a mesa discute como o gênero atravessa o ensino e a prática jornalísticos. Serão abordados critérios de noticiabilidade, seleção de fontes, interseccionalidade, visibilidade das mulheres e os sentidos de participação e representação nos conteúdos jornalísticos.

14h30 – Mesa 4 – Boas práticas em Jornalismo
Encerrando o evento, a mesa reúne experiências e reflexões sobre práticas jornalísticas comprometidas com a equidade de gênero e o feminismo interseccional. O debate inclui marcadores sociais como raça, classe, orientação sexual e deficiência, além de análises críticas de coberturas sobre violência de gênero e violência política de gênero.


Fonte:  Fenaj - 12/03/2026

 

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