Notícia - CUT debate impactos da inteligência artificial no trabalho e na democracia

No primeiro dia do 10º Encontro Nacional de Comunicação da CUT, realizado nessa quinta-feira (12), em São Paulo, o produtor de conteúdo e ativista pela regulação da inteligência artificial, Thiago Salvador, participou de um debate sobre os impactos da inteligência artificial (IA) no mundo do trabalho e na democracia. A mesa foi mediada pela vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, e reuniu participantes interessados em compreender como as novas tecnologias estão transformando as relações de trabalho e o debate público.

Durante a conversa, Thiago destacou que é fundamental aproximar a classe trabalhadora dessas ferramentas e entender como elas funcionam. Segundo ele, a tecnologia já faz parte do cotidiano de muitos trabalhadores e pode ser usada tanto para controlar quanto para fortalecer a organização social.

“Quando a gente começa essa conversa e aproxima as pessoas da inteligência artificial, desmistificamos o tema. Essa tecnologia já é usada contra nós. Se a classe trabalhadora aprender a utilizá-la a seu favor, pode avançar muito”, afirmou.

Tecnologia e organização sindical

Para Juvandia Moreira, discutir inteligência artificial tornou-se essencial diante da velocidade das mudanças tecnológicas e dos impactos que elas provocam sobre o trabalho e a sociedade.

“A inteligência artificial é um tema extremamente atual. Ainda há muitos aspectos desconhecidos e, por isso, a CUT tem promovido reflexões sobre o assunto. Precisamos aprender a usar essa ferramenta a favor do nosso trabalho e da nossa organização”, disse.

A dirigente também ressaltou que o avanço tecnológico não substitui o papel da organização sindical.

“Nada substitui a organização no local de trabalho, a conversa na rua e a mobilização. Precisamos combinar as duas coisas”, afirmou.

Algoritmos e controle no trabalho

O debate ocorre em um contexto de rápida expansão da inteligência artificial no mercado de trabalho. Em diversos setores, empresas utilizam algoritmos para automatizar decisões de gestão e, em alguns casos, justificar demissões ou reorganizar processos produtivos.

No trabalho por aplicativo, por exemplo, disse Thiago, sistemas digitais monitoram o desempenho e influenciam diretamente a remuneração dos trabalhadores. Ele também chamou a atenção para mecanismos de controle presentes nessas plataformas. Segundo o produtor de conteúdo, muitas empresas utilizam estratégias inspiradas em jogos digitais para estimular a produtividade constante.

Esses sistemas utilizam pontuações, metas e recompensas para incentivar trabalhadores autônomos a produzir mais. A prática é conhecida como gamificação, quando elementos típicos de jogos são aplicados ao trabalho para aumentar o desempenho e ampliar o controle sobre os trabalhadores.

Riscos sociais e políticos

Os participantes do encontro também discutiram os riscos sociais e políticos associados ao avanço dessas tecnologias. Um dos pontos levantados foi a presença de vieses algorítmicos, quando sistemas reproduzem discriminações raciais ou sociais presentes nos dados utilizados para treiná-los.

Casos de reconhecimento facial que resultaram em punições injustas a trabalhadores negros foram citados como exemplo de falhas dessas tecnologias e da necessidade de maior controle público sobre seu uso.

Outro tema debatido foi o uso da inteligência artificial para espalhar desinformação e manipular o debate político nas redes sociais.

“A inteligência artificial tem sido usada para espalhar fake news e conteúdos de ódio. É nosso papel combater mentiras e disputar, nas redes e nas ruas, qual projeto de país queremos para o Brasil”, alertou Juvandia.

Comunicação sindical e disputa de ideias

A secretária nacional de Comunicação da CUT, Maria Faria, avaliou que o primeiro dia de atividades cumpriu o objetivo de ampliar o debate sobre comunicação e tecnologia dentro do movimento sindical.

“Os debates colocados aqui ajudam a pensar os desafios da comunicação e as ferramentas que teremos para enfrentar o próximo período, especialmente em um ano que exige muita organização e clareza política”, afirmou.

Segundo ela, fortalecer a comunicação sindical e ampliar a presença da CUT nas redes também faz parte da disputa de ideias na sociedade e da defesa da democracia.


Fonte:  Luiz R Cabral | Editado por: Rosely Rocha - CUT / Foto: Roberto Parizott - 13/03/2026

 

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