Notícia - Seminário no Pará encerra atividades com foco na unidade de classe, autodefesa e defesa do território

A avaliação final do 1º Seminário Estadual de Camponeses, Indígenas e Povos Tradicionais promovido pelas entidades, movimentos sociais e CSP-Conlutas aponta o encontro como um verdadeiro sucesso. “Foram dois dias intensos de trabalho e articulação política, que reuniram lideranças camponesas, povos indígenas, populações ribeirinhas, agricultores familiares e representantes do movimento sindical do campo e da cidade”, afirmou a dirigente da Executiva Estadual da CSP-Conlutas Pará, Rosi Pantoja.

Debatendo o território e fortalecendo a luta

No primeiro dia de programação (dia 2), a agenda contou com uma grade de mesas, debates, painéis e grupos de trabalho direcionados à análise dos impactos que incidem sobre as comunidades. Em pauta, estiveram os avanços do agronegócio, as mudanças climáticas, os grandes projetos de mineração e hidrelétricas, além dos episódios recorrentes de violência no campo. Diante da gravidade dos conflitos locais, o espaço de debate foi aberto para que os próprios atingidos pudessem relatar suas experiências.

Entre os palestrantes e convidados estiveram o geógrafo Jeferson Choma e o professor da UFPA Gilberto Marques, o professor e integrante do Xingu Vivo Dion Monteiro, além do procurador do MPF Sadi Machado e da Dra. Tatiana, assessora do Ministério Público Estadual atuante na proteção de pessoas ameaçadas.

Nos grupos de trabalho, os participantes debateram propostas de ação territorial e organizativa. O encerramento das discussões ressaltou a centralidade da juventude, destacando a necessidade de garantir seus direitos à saúde e à educação no próprio território, com oportunidades de formação profissional condizentes com os interesses das comunidades locais, e não apenas modelos impostos pelo Estado.

A realização do encontro contou com o apoio de diversas organizações sindicais e populares, incluindo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, com a participação de Cleber do PSTU; o Quilombo Raça e Classe, representado por Well Macedo; representações nacionais e estadual da CSP-Conlutas; o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, representado pelo dirigente Sérgio Paes; o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Sintrajud_SP, Sindsef-SP e o Sindicato do STAFPA (Pará).

A liderança indígena Alessandra Munduruku também marcou presença e prestou apoio às atividades, aproveitando para denunciar o agronegócio. “O agronegócio tenta barrar todas as negociações que buscamos, mas é o próprio agronegócio que nos impõem os problemas no território”, apontou.

Alessandra reconheceu o espaço do seminário como uma iniciativa importante para reunir diferentes vozes, compartilhar experiências e discutir os desafios que afetam diretamente quem vive no campo, nas aldeias e nas comunidades tradicionais. “Mais do que um encontro, foi um espaço de escuta, diálogo e construção coletiva entre pessoas que dedicam suas vidas à defesa dos seus territórios e dos direitos dos seus povos”, disse.

Erasmo Theófilo, defensor de direitos humanos de Anapu denunciou a extração de ouro pela Belo Sun que acaba com o peixe, com o meio de vida que era a pesca dos ribeirinhos, “mas nós resistimos e existimos lá”, afirmou exaltando as diversas lutas.

Dion Monteiro reforçou que hoje não é possível discutir questão econômica sem discutir a questão ambiental, “porque elas estão atreladas e o capital vai se aproveitar pra potencializar o capital”, disse.

Representação diversificada

O seminário destacou-se pela ampla representatividade de povos, entidades e comunidades.

Lá estavam lideranças das etnias Kuruaya, Xipaya, Juruna e Arara, provenientes da região de Altamira; agricultores e ribeirinhos com comitivas de Igarapé-Miri, Cametá, Moju, Tailândia, por meio da representação de Luzia, diretora do STTR, e o acampamento/assentamento Paulo Fonteles, representado por EdMorf  do MST; assim como camponeses com Lideranças do município de Anapu.

Imersão comunitária em Moju

No segundo dia de atividades (dia 3), a programação estendeu-se ao território de Moju com uma vivência de campo na Comunidade São José, junto à família do comunitário Cláudio que vive atualmente fora da comunidade sobre proteção do estado. A atividade permitiu que os participantes conhecessem de perto a realidade, a rotina e as lutas da população ribeirinha. No caso de Moju, a luta contra a extração ilegal do seixo.

Claudio já estava há três anos sem voltar para a comunidade porque está jurado de morte pelos garimpeiros.

A visita evidenciou os desafios enfrentados pela comunidade diante dos impactos da especulação imobiliária, da invasão por grileiros e das ameaças da extração do seixo.

“O encerramento reforçou a síntese do seminário: a urgente necessidade de construir a unidade de classe e redes de autodefesa para proteger os territórios, os bens comuns e a permanência das populações tradicionais em suas terras, opondo-se a falsas soluções como o mercado de créditos de carbono e lutando pela vida nos territórios”, avalia Rosi Pantoja.


Fonte:  CSP-CONLUTAS - 07/08/2026

 

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