Após 38 dias de greve, os metalúrgicos da Parker Hannifin, localizada em Jacareí, conquistaram um acordo que garante indenização de R$ 35 mil, além de benefícios. A proposta foi aprovada nesta quinta-feira (27), em assembleia realizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, em frente à matriz da empresa, em São José dos Campos.
O acordo vale para todos os trabalhadores da Parker Hannifin e foi resultado da segunda audiência de mediação entre o Sindicato e a empresa, realizada ontem no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), em Campinas, com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT). Na primeira audiência, ocorrida no dia 18, a Parker havia proposto R$ 20 mil de indenização.
Segundo a proposta, apresentada pelo TRT e MPT, os trabalhadores terão direito a:
- indenização social de R$ 35 mil, a ser paga no dia 10 de setembro;
- convênio médico e odontológico e vale-alimentação mantidos nas condições atuais por 12 meses;
- pagamento de salário para trabalhadores portadores de doenças ocupacionais ou vítimas de acidentes de trabalho que tenham gerado sequelas (conforme estabelecido em acordo coletivo). A empresa se coloca à disposição para possível acordo para encerrar o contrato de trabalho.
Na mediação, antes de aceitar a proposta, o Sindicato consultou um grupo de trabalhadores da Parker que estava presente na sala de audiência.
Negociações e mobilizações
A direção da Parker Hannifin já havia anunciado, no dia 17 de julho, o fechamento da unidade em Jacareí. Três dias depois, os trabalhadores entraram em greve e, desde 3 de agosto, permaneceram acampados em frente à matriz da Parker, em São José.
O Sindicato pediu a abertura de negociações com a empresa para garantir a preservação de todos os empregos, com a permanência da fábrica em Jacareí, a transferência dos trabalhadores para outras unidades da empresa ou, caso nenhuma dessas alternativas se concretizasse, o pagamento de indenização social.
A primeira proposta apresentada pela Parker era o pagamento de apenas R$ 2 mil de indenização social, recusada pelo Sindicato na mesa de negociação.
Com a mobilização em andamento, a fábrica interrompeu as negociações e oficializou, no dia 11 de agosto, a demissão de todos os trabalhadores. A medida, segundo o Sindicato, fere a legislação, que proíbe cortes durante o período de greve.
“Esse acordo foi resultado da grande luta travada pelos trabalhadores da Parker. Sem a mobilização, não haveria qualquer indenização. A greve e a resistência dos trabalhadores foram fundamentais para arrancar uma conquista importante, diante de uma empresa que queria simplesmente fechar a fábrica e demitir todos. Essa vitória mostra que, quando os trabalhadores se organizam e lutam, é possível avançar na defesa de seus direitos”, afirma a diretora do Sindicato Fatima Silva.