Notícia - Embraer e setor aeronáutico encerram mais um ano sem assinar convenção

As empresas do setor aeronáutico, entre elas a Embraer, encerram mais um ano desrespeitando os direitos dos trabalhadores. Outra vez, após diversas rodadas de negociação, os patrões não assinaram a convenção coletiva da categoria, perpetuando a precarização e o descaso com os metalúrgicos.

Desde 2018, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que representa as empresas do setor aero, não assina o documento. Agora em 2022, o Sindicato mais uma vez tentou negociar com entidade patronal, que seguiu travando as discussões durante três meses.

Na convenção coletiva, há 61 cláusulas com direitos conquistados ao longo de décadas de luta pelos metalúrgicos. Ao ignorá-la, os patrões desprezam todas essas conquistas e colocam o trabalhador em uma situação de desamparo.

Durante as negociações da Campanha Salarial 2022, a Embraer e a Fiesp se recusaram a dar aumento real e insistiram no reajuste de apenas 8,83% (inflação da data-base).

Além disso, a Embraer se recusou a assinar o vale-compras de R$ 800 para todos. A empresa ofereceu apenas R$ 300 para quem recebe até R$ 7.500. Isso representa só 40% do total de funcionários da fábrica.

Para completar, a Embraer e a Fiesp tentaram retirar direitos da categoria. O objetivo era mudar a cláusula de estabilidade, para prejudicar os lesionados. Na visão dos empresários, a estabilidade poderia ser reduzida para apenas 21 meses para quem adquiriu doença ocupacional e 60 meses para os acidentados. Hoje, a estabilidade desses metalúrgicos vai até a aposentadoria.

Outra cláusula da convenção que tira a Embraer do sério é a que proíbe a terceirização da produção, prática adotada pela empresa irregularmente.

Todos esses ataques foram recusados na mesa de negociação e na última assembleia geral da categoria, no dia 26 de novembro. Na ocasião, o Sindicato enviou uma carta à Fiesp, a fim de continuar as negociações. Porém, até agora a patronal não deu um retorno.

Contra as sucessivas tentativas de retirada de direitos, os metalúrgicos aprovaram aviso de greve para o setor, fizeram algumas paralisações e seguem lutando para que os patrões assinem o documento.

Lucros altos
A luta da categoria considera, principalmente, as plenas condições das empresas de dar aumento salarial e manter as cláusulas sociais da convenção.

Enquanto tenta retirar direitos e rebaixar salários, a Embraer segue lucrando alto. A empresa fechou o segundo trimestre de 2022 com lucro líquido de R$ 372,6 milhões. De abril até junho, a empresa teve receita líquida de R$ 5,04 bilhões.

No final desse trimestre, a carteira de pedidos da Embraer somava 17,8 bilhões de dólares, a maior desde o início da pandemia. E esse valor ainda não incluía o pedido firme adicional de 20 jatos da Porter, divulgado em julho.

“Nada justifica a postura da Embraer e das demais fábricas do setor aeronáutico, que não assinaram a convenção coletiva. A produção segue a todo vapor e os lucros continuam altos, garantindo a riqueza dos patrões. Os metalúrgicos não irão abrir mão de décadas de luta para ceder ao capricho dos empresários. Além disso, a sociedade não pode admitir que os aviões feitos pela Embraer sejam fabricados por trabalhadores que não têm direitos garantidos. Isso prejudica, inclusive, a segurança em voo dos clientes da empresa”, afirma o diretor do Sindicato Herbert Claros.


Fonte:  Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos / Foto: Roosevelt Cássio - 16/12/2022


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